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domingo, 28 de março de 2010

TEIA 2010

Este é o primeiro texto e espero postar mais dois pelo menos.




Fortaleza(CE) - Um encontro nacional da cultura. Ponto a ponto a TEIA vem costurando a cultura brasileira. O objetivo dos pontos de cultura é promover ou facilitar atividades culturais que vem sendo desenvolvidas por ONGs e OSCIPs (Organização Social Civil de Interesse Público) do Brasil. O recurso de R$ 60 mil/ano durante três anos vem auxiliar principalmente a compra de equipamentos para a manutenção ou ampliação das atividades.
O TEIA este ano aqui em Fortaleza reúne cerca de quatro mil pessoas de todo o Brasil. São delegados de Pontos, Pontinhos e Pontões, Mestres da Cultura Popular, Griôs e artistas de todos os segmentos. Negros, índios, brancos e mestiços de modo geral. Mineiros, gaúchos, curitibanos, cariocas, paulistas, baianos, cuiabanos, enfim um caldeirão fértil e diversificado.
Aqui estão sendo feitas apresentações artísticas, seminários, debates que devem traçar caminhos novos a partir das experiências compartilhadas. No encontro também será realizado o III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura para o qual os delegados, 2500 de todo o Brasil, foram convocados.
Mato Grosso
A delegação do estado inclui 56 representantes, entre pontos e semelhantes, e ainda, o grupo de cururueiros que se apresentaram na sexta-feira e o Linha Dura que se apresenta no sábado. Os Pontos do Mato reúnem dois pontos do pólo Juína; quatro do pólo Alta Floresta; dois, Barra do Garças; Rondonópolis, quatro; Cuiabá, dezesseis; Cáceres,três; Tangará da Serra, cinco; Sorriso, um; Juara, um; Sinop, dois e ainda os Pontões Ação Cultural, Núcleo Baé e Viola de Cocho. Somam-se a estes os pontinhos: Poesia Necessária, Quintal Artístico, Praticutuca e os Pontos que estavam conveniados diretamente com o ministério da Cultura: Porto das Artes, Memória e Identidade Indígena, Cuca Araguaia do Mato Grosso, Rede Yawalapiti, Cultura Apowe e Índios em Rede.
Particularmente faço parte do Ponto de Cultura Espaço Vitória, no Jardim Vitória e firmamos o convênio com a secretaria de estado de Cultura em dezembro do ano passado. O ponto Espaço Vitória pretende atender à comunidade do bairro e adjacências como já vem fazendo o Espaço Vitória que vinculado ao Instituto Centro de Vida – ICV. As atividades são: arte reciclagem, design de produtos, audiovisual, fotografia, teatro, meta-reciclagem e robótica, sempre levando em consideração a perspectiva ambiental e eco-sustentável.

Economia da Cultura
Participei do seminário de debate intitulado Economia Viva, que mistura economia criativa, solidária e sustentabilidade. É incrível como ainda precisamos provar que cultura é representativa para o setor econômico. Já no avião víamos a força do encontro, calculo que 80% dos lugares ocupados no vôo eram de pessoas ligadas ao evento. Os hotéis lotados. O Sebrae ofereceu o almoço para quatro mil pessoas. Os ônibus passavam a cada meia hora. Quantos empregos foram gerados? Quantos impostos foram pagos? Quantos produtos artesanais ou não foram vendidos?



Entender os gargalos da atividade cultural passa necessariamente por uma política tributária mais justa e adequada à realidade do setor. Para que um ponto de cultura venda produtos ele deve ser uma empresa, para tanto ao se constituir juridicamente é taxada como uma empresa comum. Os editais liberam recursos e solapam a parte do leão e da previdência de imediato.







Quem quiser ver mais deste fotógrafo pode entrar no link do Flickr


domingo, 25 de outubro de 2009

Lara Matana




Há algum tempo venho acompanhando o trabalho da Lara Matana. Ela tem a seu favor algo que todo o artista almeja: estabilidade financeira. É engraçado, mas já ouvi críticas a ela por isso. Como alguém que não sofre pode ser artista? É engraçado por que ficamos discutindo a produção artística baseado nas condições de vida do artista. Se ele(a) é deslocado(a) da sociedade. Se sofreu abusos, se enfrenta Golias pelos desertos da vida. 



É claro que a arte é uma válvula de escape para situações extremas. Auxilia as pessoas a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, mas não é só isso. A arte também é estética. Falo sem medo de reduzir a arte da Lara à decoração e também sem reduzir o valor da mesma em um ambiente. A arte da Lara carrega consigo uma semente ecológica. Ela trabalha com resíduos de madeira que virariam pó e fumaça. Seu trabalho segundo Aline Figueiredo está muito ligado ao designe, vemos isso também e mais. 





Enxergar, como ela o faz, beleza num toco de árvore arrancado, ou enfeitar esta dureza retorcida com um abraço envolvente de uma cobra composta de pequenos pedaços de madeira entrelaçados vai além da decoração, sem dúvida.

E o que dizer de elementos trabalhados minuciosamente em finas lâminas de madeira dispostas de modo a imprimir a perspectiva infinita de um corredor. E quando ela o faz com cores que dão vida à madeira e apresentam formas e densidades diversas ao mesmo material inanimado nas mãos de meros mortais. Sim por que na sua mão ganham vida e vibram, e puxam o nosso olhar para além conduzindo-nos a uma experiência tridimensional.



Lara (re)cria formas, painéis, esculturas, quadros, faz isso há muitos anos e já conquistou o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais que recebem e comercializam seus trabalhos. Quando o diretor Fernando Meirelles escolheu uma de suas obras para o seu filme Ensaio sobre a cegueira nós noticiamos aqui no DC Ilustrado com alegria de quem conhece o trabalho de perto. 




Você pode apreciar a exposição até o dia 30 de outubro no museu de arte e cultura popular na UFMT, em horário comercial. Se quiser conhecer mais da artista visite o site: WWW.laramatana.com.

Nas palavras da mestre Aline Figueiredo fica o registro da sua sensibilidade: [Lara] “Olha os troncos por longo tempo, até ganhar-lhes a intimidade expressiva que vai sugerir e induzir o que neles interferir e recriar. Ora conserva os sulcos que considera mais expressivos, abre frestas e lhes introduz pequenos pedaços geométricos de madeira; ora lhes acrescenta grandes pedaços, bem alisados pelos tornos, a dialogar, assim, entre o rústico e a intervenção da máquina.” 



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O lado Oculto de Pessoa



Claudio de Oliveira
Da Reportagem

Um senhor com seus quase oitenta anos esteve em Cuiabá a revelar um segredo. Mantido oculto por setenta anos sob o pudor da sua família. O “Encontro Magick de Fernando Pessoa com Aleister Crowley” foi publicado por Miguel Roza em 2001 pela Hugin Editores. Dr. Luiz Miguel Roza Dias é médico, cirurgião geral e escritor, mas o que realmente chama a audiência é o seu parentesco com o mestre da língua portuguesa, o poeta e tradutor, Fernando Pessoa.
Miguel Roza é sobrinho do poeta e conviveu com o mesmo durante a sua primeira infância (até os seis anos), pois o mesmo morava em sua casa em Lisboa. A sua mãe era irmã de Pessoa e católica de formação o que provavelmente a levou a esconder, ou evitar segundo Roza, o envelope onde Pessoa escreveu Aleister Crowley. O envelope pardo ficou sob os cuidados da família enquanto o resto dos bens, a exceção das coisas mais pessoais, foram encaminhados para a Biblioteca Nacional portuguesa.
Situemo-nos: Fernando Pessoa - Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, 13 de Junho de 1888 e faleceu na mesma cidade em 30 de Novembro de 1935. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, juntamente com Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. Segundo Roza ele teve uns 150 heterônimos. Para quem desconhece o dicionário Houaiss explica assim: “nome imaginário que um criador identifica como o autor de obras suas e que, à diferença do pseudônimo, designa alguém com qualidades e tendências marcadamente diferentes das desse criador.” Seria assim um fenômeno de personalidades múltiplas. Léo Schlafman fala em 72 heterônimos.
Por outro lado: Aleister Crowley (1875-1947), inglês, autor de renome e pintor, Mestre Supremo da Obediência Secreta da «Golden Dawn», monge tibetano e alpinista, espião, agente duplo, viajante e aventureiro, e já conhecido pela elite internacional como «o pior homem da Inglaterra». As obras (quase) completas de Crowley estão publicadas em http://www.hermetic.com/crowley/index.html. Entre outras coisas Crowley assinava 666 e pregava o poder supremo da Vontade. O ocultista influenciou, por exemplo, o músico Raul Seixas, notadamente na canção ‘Viva a Sociedade Alternativa’.
Na época o mago já era odiado pelos religiosos especialmente por suas táticas de libertação da vontade que incluíam drogas e sexo segundo seus detratores. Desse modo, ficam claros os motivos pelo qual a família (no caso a irmã) não queria que as pessoas soubessem mais detalhes do encontro. Na verdade este encontro não se resumiu a um ou dois dias em Portugal, mas sim a uma série de cartas trocadas por ambos que hoje são chamadas Dossier Pessoa-Crowley e que inclusive foram vendidos em leilão realizado em Portugal em novembro de 2008. Segundo o jornal Correio da Manhã: “Dossier Pessoa-Crowley Para Desconhecido - O dossier que reúne a correspondência entre Fernando Pessoa e o ocultista britânico Aleister Crowley, um dos destaques do leilão de bens do poeta realizado ontem à noite (dia 13-11-08) no Centro Cultural de Belém, foi arrematado por 50 mil euros através de um telefonema, a repercussão foi publicada pela blogueira Maria Manuel que lamentou a saída deste e de outros pertences do mestre português, você acha mais sobre o assunto no link: http://marcadordelivros.blogspot.com/2008/11/segundo-o-jornal-correio-da-manh.html. Este dossier tem por volta de 800 páginas e tem as cartas que Fernando Pessoa trocou com Crowley já que as enviadas eram datilografadas na máquina com auxílio de um “químico” (carbono) segundo Roza. O sobrinho então de posse deste material organizou um livro citado lá em cima e que ganha agora uma segunda edição por outra editora. Entre os documentos estão jornais da época que dão conta do “suicídio” de Crowley ao qual Pessoa auxiliou e repercutiu nos jornais.

Pessoa Esotérico
Na sua palestra sobre o Pessoa esotérico ele falou sobre este encontro e sobre os estudos de Pessoa sobre alquimia, magia, astrologia, teosofia e tantas quantas fossem as ciências ocultas, todas pareciam interessar ao intelecto do poeta. Quiromancia, estudo da face, das mãos, mapas astrais que Pessoa fez para si, seus familiares, heterônimos e uma enormidade de pessoas famosas e até entes abstratos. A propósito destes mapas foi a sua fluência no assunto que instigou o mago a querer encontrá-lo em Lisboa. Ele escreveu a Crowley: “Se tiverem, como provavelmente têm, oportunidade de comunicar com o Sr. Aleister Crowley, talvez possam informá-lo de que o seu horóscopo não está correcto e que, se ele admite que nasceu às 23h. e 16m. 39s. de 12 de Outubro de 1875, terá Carneiro 11 no seu meio-céu, com o correspondente ascendente e cúspides. Encontrará então as suas direcções mais exactas do que provavelmente as encontrou até agora. Isto é mera especulação, claro, e peço desculpa de vos maçar com esta intromissão puramente fantasista no que é, afinal de contas, apenas uma carta comercial.” A citação está em um estudo da Universidade Nova de Lisboa que pode ser encontrada aqui: http://www2.fcsh.unl.pt/deps/estudosalemaes/Pubs/P_Helena_Barbas_29_Jan_2003.asp
Para Léo Schlafman que publicou alguns artigos no Jornal da Poesia sobre Pessoa: “Goethe, como Fernando Pessoa, foi devoto cultor das ciências mágicas; iniciado numa loja maçônica desde os anos juvenis, pertenceu sucessivamente a várias sociedades secretas de fundamentos ocultistas... "Não procures, nem creias: tudo é oculto", disse Fernando Pessoa, para ser depois contraditado por Alberto Caeiro(heterônimo) que afirmou: "O único sentido oculto das coisas / é elas não terem sentido oculto nenhum." Sua mediunidade o levou às práticas ocultistas, à defesa da Rosa-Cruz e da maçonaria, à astrologia, à numerologia. Um intelectualista do tipo que ele era fez entrar na construção mental o que podia caber: o inteligível e o ininteligível, o racional e o irracional, o visível e o invisível, o claro e o misterioso, constituindo um sistema mágico nas suas conclusões embora desprovido de comprovação objetiva. Tudo se passou como se a subliteratura mística de onde extraía alento, ao atravessar seu cérebro privilegiado, saísse do outro lado filtrada e rarefeita do ponto de vista estético.”
Entre outras coisas Luis Miguel contou ao DC Ilustrado que seu tio se apaixonou pela namorada de Crowley. O mago tinha 54 anos, Hanni Larissa Jaeger tinha 19, e Pessoa, 42. O encontro teria motivado o primeiro poema erótico do poeta. Roza afirma que é impossível dizer se Pessoa era mesmo iniciado na maçonaria já que o mesmo negou em um artigo. Após a conclusão da palestra que aconteceu no Palácio da Concórdia uma das pessoas presentes perguntou como a família reagia aos heterônimos e qual efetivamente mais se parecia com o Fernando Pessoa. Ele respondeu: “É impossível saber, para nós era uma brincadeira. Para ele não sei dizer. É provável que ele era todos e nenhum. Acho que ele dissociava-se a si próprio para encontrar a si mesmo”.

Publicado originalmente na edição de 23-08-09 do Jornal Diário de Cuiabá

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cidade de Pedra


Uma pedra e um ser empunhando um tacape e um escudo.

pelo menos foi isso que eu vi.

claro um por do sol mágico tecia a cena.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Maratona museológica


Um dia. Parece pouco, né!? Na verdade meio dia foi o suficiente para tomar um banho de museu em São Paulo. Banho talvez não seja a palavra mais apropriada com todo o frio que estava na metrópole. Sem chuva, sol brilhando e vento gelando as orelhas. São Paulo tem a característica de uma oferta cultural plural. Teatro, cinema de arte, exposições, shows, enfim, uma infinidade de opções que deixa dúvida.

Parte do problema da escolha foi solucionada de pronto. Eu teria praticamente uma tarde o que excluía shows e teatros e dificultava o cinema pois me imobilizaria por mais de duas horas facilmente reduzindo a diversidade do menu.

Optei pelas artes visuais. O ano da França no Brasil me acompanhou durante o dia primeiro no MASP com a exposição “Arte na França: 1860-1960: O Realismo”. Clássicos como Monet, Renoir, Picasso, Van Gogh, Dali, e muitos outros que produziram trabalhos realistas neste período na França encantam e abduzem mesmo os mais frios. Ainda no MASP desço para o último piso e me deleito com uma exposição do Vik Muniz. Mesmo com diversas pessoas torcendo o nariz para ele eu aprecio o seu trabalho a várias Bienais, e tive a oportunidade de assistir a um documentário em meio à exposição que ele relatava o seu processo de criação. Reconheci-o como um bibliófilo ferrenho e finalmente, digeri de maneira adequada seus meninos de açúcar. Ele contou que se inspirou em uma poesia do Ferreira Gullar que narra a origem do açúcar, o quão amarga é a vida daqueles que adoçam o nosso café colhendo e moendo a cana. Nossa! O Gullar é incrível e a representação é extremamente apropriada e difícil de descrever em um espaço tão exíguo.

Parti para a segunda parte, ou deveria dizer segunda casa. A Pinacoteca encerra uma exposição também em homenagem ao ano francês-brasileiro com fotógrafos de ambas as nacionalidades intitulada: “À procura de um olhar”. Entre as duzentas imagens, diversas estonteantes, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Tiago Santana e Mauro Restiffe. Ainda na Pinacoteca pude apreciar um francês estudioso das formas e das cores que me deu a sensação de estarmos apenas copiando-o 50 anos depois: Ferdinand Léger (1881-1955). Fiquei com a sensação de que a arte em quadros chegou a um beco sem saída. É preciso a performance, o vídeo, a fotografia talvez, não sei, as instalações contemporâneas que nos digam.

Ainda tive tempo, antes de ir ao lançamento do livro do Claudio Willer (Geração Beat), de explorar o Museu da Língua Portuguesa. É, não foi um banho, mas com certeza foi uma maratona. Dentro do meu tempo volto para comentar o livro do Willer que parece ótimo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um Show Inesquecível




Ela entrou com dez minutos nobres de tolerância. A rainha dominou o palco no primeiro suspiro. Sua voz sem esforço preenchia cada poro do corpo, eriçava o pelo até daqueles que estavam ali apenas para acompanhar um ou uma fã. A majestade de Maria Bethania impõe-se não só pela voz, mas também por sua postura rica em sentido e sentimento que transbordaram pelo Centro de Eventos do Pantanal, na noite de quinta-feira.

A casa lotada e o silêncio reverente da plateia que ovacionava a cada música impunham mais respeito. Ela abriu com “Nana” e em seguida “Beira-mar”, um sucesso poético cujo refrão guarda uma verdade suave como o vento: “Em todo o mar tem rio, e em todo o seu som tem ar e oxigênio para alimentar a todos nós”.

Em seguida entoou o hino do sertão: “Asa branca”. E o mar adentrou o Pantanal e sua religiosidade atravessou o público com o “Capitão do mato”. Em seu caminho entremeava músicas mais agitadas e mais introspectivas com uma energia de deixar as novas cantoras da MPB brasileira babando na sua verve. “Explode o coração”. Vibra a plateia de pé totalmente dominada e submissa a sua “Estrela D’alva”. Um pé no freio, uma poesia e os “Olhos nos olhos” levantam a multidão. Os aplausos, gritos e manifestações de carinho envolvem a artista, que agradece repetidas vezes: “Obrigada, senhores!”

Então ela se retira do palco após a “Volta por cima” e abre espaço para um show instrumental. Senhores de cabelo branco, média idade e mais novos dão um espetáculo a altura da sua voz enquanto a abelha-rainha respira para retornar ao controle da colmeia. Bateria, percussão rica, violoncelo, contrabaixo acústico, teclado, sanfona e violão, uma corte digna de sua majestade.

Retorna em “Reconvexo” e convida para a Bahia depois de oferecer o “Doce”. Um samba gostoso com cheiro do acarajé e a levada do candomblé. Em seguida introspectivamente, a doçura de um “Sábado em Copacabana”. Os pés no chão, o patuá no peito guardado por dois cavalos marinhos brilhantes davam o tom do figurino simples completado por uma saia estampada e um pulso cheio de pulseiras douradas.

Em ritmo de oração Terezinha dá lugar ao lamento: “Negue, negue que me pertenceu, diga que já não me quer...” E eis que chega uma carta e a poesia eriça o público que responde de pé. “Todas as cartas de amor são ridículas. As cartas de amor têm que ser ridículas. Quem me dera saber no tempo em que as escrevia que eram ridículas. Eu também escrevi cartas ridículas. Mas enfim as pessoas que nunca escreveram uma carta de amor é que são ridículas”.

Uma pausa para agradecer o convite novamente e lembrar da extraordinária Vanessa da Mata. “Em nome dela e de todos os músicos, poetas e artistas desta linda cidade e deste lindo estado, obrigada pelo convite”, suspira Bethânia.

Depois de sonhar um “Sonho impossível”, a gente não quer só “Comida”, a gente quer diversão e arte. A gente quer inteiro e não pela metade. Uma versão pausada e pesada. Uma ordem da rainha, mais arte, desejo, necessidade e vontade.

Então um lamento, uma suave melodia elocubrando as estrelas e a beleza do “Céu de Santo Amaro” recheado pelo Soneto de Fidelidade do inesquecível poetinha Vinicius de Morais. Em seguida um samba para elevar a moral e lavar as lágrimas salgadas da poesia. Como não poderia deixar de ser o bis: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma economia de mercado



Uma imensa feira de ilustres desconhecidos. Dez vezes o tamanho do Anhembi em São Paulo, repleto de todos os tipos de produtos genéricos que você possa imaginar de prego, cabo, tomada, a caminhão, trator e máquinas pesadas. Passando, é claro, por materiais de construção em geral e informática. Teoricamente todos que lá estão são fabricantes. Produzem em grande quantidade e vendem a preços que comparativamente com os adotados no Brasil representam apenas 20%.
A feira de Guangzhou, ou Canton Fair, na China, como é mais conhecida, está na sua 105ª edição. Ela se divide em três fases com 55 mil expositores tomando conta dos 1,1 milhão de metros quadrados. A estimativa é que este ano a feira iniciada em 15 de abril e que se estende até 7 de maio, movimente o equivalente US$ 10 bilhões, pelo menos. A primeira fase da feira encerrou em 19 de abril, momento acompanhado de perto por uma comitiva de empresários estaduais, organizados pelo Sebrae/MT. Nesta fase estavam expostos produtos como: eletrônicos e eletrodomésticos, hardwares e ferramentas, maquinário, veículos e peças, materiais de construção, equipamentos de iluminação e produtos químicos.
A segunda fase começou no último dia 23 de abril e vai até 28 com o foco em produtos de decoração, presentes e consumer goods. A terceira fase entra em exposição de 3 a 7 de maio com materiais de confecção e tecidos, sapatos, equipamentos para escritório, malas, produtos de recreação, produtos medicinais, remédios e equipamentos para a saúde, alimentação e produtos nativos.
Chegar até a feira é tarefa fácil pra quem está na cidade. Metrô, ônibus gratuitos ou mesmo táxis fazem o percurso dos hotéis ao complexo da feira constantemente. São duas estações de metrô que servem ao evento: Xingang Dong e a Pazhou. A melhor opção obviamente é aquela cuja linha passa mais próximo do hotel em que se está hospedado de preferência que não tenha de fazer baldeação. Todavia, mesmo que tenha de fazê-la não há o que temer, já que todos os nomes estão escritos em inglês e com um mapa das linhas disponíveis em todas as estações fica fácil se localizar.
A missão do Sebrae/MT contou em Guangzhou com sete intérpretes, um para cada grupo de três empresários em média o que facilita e muito as negociações com os chineses. A feira não é para curiosos, apesar destes se esbaldarem nas múltiplas possibilidades de compra e de negócios. A feira é para profissionais. Para quem sabe o que quer e não para o transeunte sem bússola. O fato da empresa (fábrica) chinesa estar com um estande na feira não significa que ela é idônea. O ideal segundo informações levantadas no local com pessoas mais experientes em negócios com empresários chineses, é visitar as fábricas. Conhecer os locais de produção e avaliar a capacidade e a idoneidade das empresas antes de encomendar e pagar adiantado para o início da produção. O risco é ver o seu dinheiro transformado em fumaça junto com a empresa fantasma. É bem provável que o governo chinês não tenha interesse nenhum em facilitar a vida destes ectoplasmas, contudo devido ao imenso movimento, quem acaba pagando para ver é o empresário que dificilmente terá o seu dinheiro de volta no caso.
Ainda que consigamos comprar amostras, especialmente nos últimos dias de cada fase da feira, a venda é facultada a grandes encomendas. As quantidades variam conforme a mercadoria, um MP5 4Gb expansível (equipamento eletrônico de áudio e vídeo), por exemplo, tem encomenda mínima de 500 unidades com o convidativo preço de U$ 20 cada. No Brasil um destes não sai por menos de R$ 300. Outro exemplo levantado são os cabos de HDMI. No Brasil são vendidos a R$ 120, na feira podiam ser encomendados a U$ 1,20. É claro que para comprar um trator ou uma grua não há necessidade de grandes encomendas, depende da mercadoria que se está negociando.
A primeira visita tende a ser de reconhecimento da área. Um raio-X das oportunidades de negócio. Caso o interesse seja confirmado o empresário pode e deve buscar o auxílio de importadores para conhecer as taxas e impostos além dos custos de logística. Como no Brasil há aqueles que têm qualidade e os que não têm, vai do ‘faro’ e dos cuidados que o empreendedor se cercar para obter sucesso neste negócio da China.

A Arte de beber




A China tem seus encantos e mistérios e provavelmente eu volte a eles entre um e outro artigo. Estava caminhando na praça da Paz Celestial quando fui abordado por dois jovens chineses: Colin e Wilson, 21 e 23 respectivamente. Ambos estavam estudando o inglês e queriam praticá-lo comigo. Eu estava sozinho e mesmo relutando um pouco acabei por concordar em deixá-los me mostrar a cidade de Pequim.

É claro que a partir daí meus planos foram alterados. A minha ideia era ir direto para a Cidade Proibida, mas eles sugeriram que deveríamos seguir pela Dragon Line, a espinhal dorsal de Pequim por onde veríamos casas tradicionais e um bairro voltado para a arte.

No caminho encontramos uma galeria com obras lindíssimas repletas de sentido semiótico espelhado nas cores e formas dos tecidos de seda e traços de nanquim. As quatro estações são motivos frequentes nas telas chinesas.

Seguindo a nossa linha paramos novamente em uma casa de chá. Uma experiência extraordinária. Sem dúvida eu nunca entraria numa casa dessas sem a companhia deles. A casa modesta repleta de estampas de tecido coladas à parede tinha um tom fresco e calmante pela cor verde dominante. A hostess com um uniforme típico vermelho e unhas azuis nos recebeu calmamente. Fomos levados para uma sala pequena com uma mesa central atrás da qual ficou nossa chefe de cerimônia. Conforme ela ia apresentando os chás, onze ao todo, e suas características meus acompanhantes traduziam e me explicavam.

Uma pequena xícara para cada um. Fui ensinado a segurar a xícara com o polegar e o indicador mantendo os outros três dedos abaixo do recipiente. O chá deve ser cheirado e em seguida bebido em três goles. O primeiro era para o intestino. O segundo para o sangue. E assim sucessivamente renovamos os neurônios, articulações, ossos e experimentamos a força masculina e feminina dos diferentes chás.

O chá verde tinha um sabor especial. Quando comentei, Wilson me explicou que eu provavelmente nunca tomaria um chá tão saboroso em qualquer outra época, pois a Primavera é o melhor período para a colheita e este sabor era realmente singular.

O chá de jasmim também foi muito especial. Ela coloca o mesmo em uma mini-tulipa de porcelana e tampa com a nossa xícara. Então ela vira, deixando a nossa xícara embaixo com a tulipa de cabeça para baixo. Retiramos a tulipinha rodando em círculo na beirada da xícara para escorrer. Com ela ainda quente aproximamos a sua boca dos nossos olhos. A sensação é relaxante. Em seguida rolamos pela nossa face e esquentamos a nossa mão. Só então, bebemos. O tempo e gestos calculados e a cerimônia em si deixam na memória os traços da paciência e da história chinesa em um ritual simples e cotidiano.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dubai




Dubai, 14-04-09. 4 AM

Jet Lag. Eu pensei que tinha resolvido no primeiro dia pois dormi como um bebê assim que cheguei até o outro dia. Mas aqui estou sem sono nenhum pensando em todo o impacto causado em mim por esta cidade e tudo o que ainda verei na China hoje, depois de mais oito horas de vôo até Gouanghzu. È imagino que o Jet lag talvez persista até eu voltar para o Brasil quem sabe!?
De todo modo o tópico para este post é Dubai. Esta cidade talvez seja o exemplo vivo do que o SEBRAE vive propalando aos sete ventos, uma palavra simples, relativamente fácil de explicar, mas muito difícil de colocar em prática: empreendedorismo. Sim, Dubai é fruto da cabeça empreendedora e de uma visão de longo alcance (ehehe, lembrei dos Thundercats, mas o sheik provavelmente nem conhece o Lion). Acontece que em 1990 o sheik Rashid Bin Saeed Al Maktoum já sabia que o petróleo ia acabar em breve, sim vinte ou trinta anos para este homem era curto prazo. Ele então começou a pensar em projetos para transformar o deserto em uma terra produtiva. Não, ele não chamou a Embrapa nem a Monsanto com suas sementes modificadas de soja, especiais para terras áridas. Ele vislumbrou uma cidade cosmopolita. É claro que não era tão difícil ver Dubai nesta posição já que o porto daqui sempre foi muito importante para a ligação Ásia e Europa. Hoje, inclusive Dubai é um dos cinco maiores portos do mundo em movimento e está sendo ampliado pela brasileira Odebrecht.
Mas que visão foi essa então, né!? O que tem de especial em fazer uma cidade crescer quando se têm petrodólares circulando a rodo!? Bem, o que podemos observar ao redor de Dubai é um propósito de servir aos cidadãos e não à família real (ou os amigos) como é comum por estes lados (para não dizer em qualquer lugar onde o poder é exercido). O sheik viu a possibilidade de construir uma cidade melhor com tudo o que há de melhor.
Seu primeiro desafio foi ter terras boas que incentivassem o capital internacional. Bom, pensou ele, temos 72 Km de costa (aqui os dados são as vezes contraditórios já que a página de Dubai na internet fala em 60 Km e este dado nos foi passado na Anakheel – construtora do grupo Jumeira, de propriedade do sheik) quero dobrar isso. Parece óbvio, quem não sabe que a beira-mar é a área mais valorizada quando se pensa em empreendimento imobiliário, não é verdade!? É óbvio! Pois bem ele não duplicou apenas. Com todos os projetos em andamento ele está acrescentando à Dubai mais de 1000 km de costa. Seus projetos são tão audaciosos que é quase impossível por em palavras sua visão.
Ele contratou uma empresa holandesa com seus técnicos e máquinas para fazer ilhas artificiais e claro com conceitos estupendos. Por exemplo, a já mundialmente famosa Palm Jumeirah. Trata-se de um conjunto de ilhas que formam no mar o desenho de uma palmeira, significado da palavra Anakheel, nome da sua empresa. Com o metrô sendo finalizado, prédios, casas de luxo, resorts internacionais, parques temáticos e areia, muita areia do mar ele está erguendo um monumento para 1,1 milhão de pessoas. Olha que Dubai tem apenas 1,5 milhão de habitantes. Todo os Emirados Árabes(sete) têm segundo o nosso guia local Cristiano Cabral, cinco milhões de habitantes. Contudo o mesmo Cristiano questiona os números já que apareceram três milhões de pessoas pedindo renovação d visto que se encerram quando a pessoa fica sem empregador ou quando vence três anos.
Como estratégia de venda o Sheik Mohamed Bin Rashid Al Maktoum, filho do Sheik Rashid e atual monarca, ofereceu vistos de 99 anos para aqueles que comprassem casas no empreendimento, o resultado foi impressionante. Tudo foi vendido em três dias. Ele captou assim com o conceito e com esta facilidade bilhões de dólares de todo o mundo para iniciar o seu primeiro projeto. Isso foi em 2001. Até hoje não está pronto e a previsão é para 2010. Mesmo sendo do próprio Sheik o desafio lançado à sua empresa de duplicar a costa quando a empresa apresentou a solução ele desdenhou dela e solicitou um empreendimento maior, foi quando surgiu Palm Jebel Ali, o dobro da Palm Jumeirah. E a esta uma sucessão de projetos imobiliários e de prédios fantásticos.
Na Jebel Ali ele escreveu em árabe, em volta do “loteamento” uma poesia, sim ilhas pequenas em formas de palavras. Neste empreendimento entraram empresas como Bush Garden, Sea World, Aquatica, só para citar os parques temáticos. Um projeto para os próximos vinte anos. Junto com este ele lançou vários outros como um forma mundo, a The World. Sim, ilhas dispostas na forma do mapa mundi. Nesta, apenas convidados podem adquirir terrenos.
Para se ter uma ideia da valorização do terreno (antes água) das casas do Jumeirah elas foram vendidas 1,2 milhão de dólares, hoje valem cinco milhões de dólares. Antes que os ambientalistas o acusem de destruir o fundo do mar, explico, o mar aqui é interno, Golfo Pérsico (ou arábico, como eles preferem) é um deserto aquático, ou era, pois ele estão atraindo espécies e formando corais ao redor das construções. Ah, se a sua preocupação é o aquecimento global saiba que eles fizeram barreiras que se elevam a cinco metros acima do nível do mar para evitar ou postergar em centenas de anos a preocupação com a subida do nível do mar.
E claro, não foi só o mar que recebeu tratamento desta visão especial se não a cidade inteira está passando por transformações constantes. O maior prédio do mundo não acabou de ser construído aqui e eles já tem um projeto para um maior ainda. O shopping aqui tem uma pista de esqui artificial indoor. Tudo aqui é grande e como eu disse lá trás não é só para os apaniguados do cacique, mas para todos.
Aqui o trabalhador estrangeiro com visto tem direito a casa, saúde e educação. Sim seu salário é praticamente liquido. O cidadão então, nem se fala. Pode estudar em qualquer universidade do mundo. É sócio obrigatório de empresas multinacionais que queiram investir nos Emirados (a exceção para as áreas da cidade tidas como zona franca). Com a crise, por exemplo, começaram algumas demissões e o Sheik Bin Maktoum baixou um decreto: pode demitir todo mundo menos os cidadãos dos Emirados.
Aqui estão empresas de todo o mundo. Ponto crucial na logística internacional Dubai cada vez mais apaga a lembrança do óleo escuro e caminha na direção do comercio internacional e do turismo. Eu ainda volto para falar mais deste lugar, das mulheres daqui, do deserto e das construções arquitetônicas exuberantes deste país de Thundercats. A propósito vou postar uma foto do litoral de Dubai num futuro próximo, para o sheik.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Artigo DCbá - Natal

Todo ano comemoramos em illo tempore o nascimento de Jesus. Revivemos, teoricamente, aquele momento especial para humanidade. Receber na Terra, em carne e osso, Deus filho. Há muito tempo cientistas buscam uma prova da existência de Jesus. Para a ciência não bastam os relatos dos Evangelhos, ou mesmo, o sudário de Turim, que, aliás, foi alvo de questionamentos contundentes há pouco tempo. Já ouvi diversas vezes comentários de que o nascimento de Jesus não se deu em dezembro. Pelas características climáticas deste período do ano e pelas interpretações feitas por estudiosos dos textos bíblicos.
A pesquisa mais recente é do astrônomo australiano Dave Reneke e sugere que Jesus Cristo tenha nascido no dia 17 de junho, e não em 25 de dezembro. E não no ano 0, mas dois a três anos antes. Sua pesquisa utiliza-se de um software capaz de reposicionar os astros e estrelas no céu há milhares de anos. Sua conclusão se deve ao alinhamento de Vênus e Júpiter no ano de 2 a.C.. Esta conjunção, segundo ele, teria emitido um forte brilho no céu noturno e poderia ter sido confundido com a Estrela Guia dos três Reis Magos.
Longe de querer polemizar colocando a ciência e a religião no mesmo ringue em lados opostos, o astrônomo salienta que isto deve reforçar a fé já que existiu sim, no céu, um fenômeno atípico no mesmo período em que Jesus nasceu.
Lendo a notícia da BBC Brasil me pergunto: Que diferença isso faz? Para mim nenhuma, se Ele nasceu em dezembro ou junho, continua sendo Jesus Cristo o Salvador, filho de Deus e o próprio Deus em pessoa, que habitou entre os nós. Que foi crucificado, morto e sepultado para a remissão dos pecados, inaugurando um novo tempo para a humanidade.
Jesus trouxe para a humanidade o verdadeiro Amor e o Perdão. Veio trazendo mais luz sobre os ensinamentos divinos. Resumiu habilmente todos os mandamentos em só: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.
Passados dois mil anos a humanidade ainda não conseguiu por isto em prática. Ainda ama possessivamente. Cheia do que não presta como o ciúme, inveja e orgulho. Não bastaram todas as palavras e prática de Jesus. Não bastou Paulo traduzir de maneira maravilhosa o que é o Amor na sua I Carta aos Coríntios 13 e colocá-lo sobre todos os outros dons. Ainda hoje a maioria dos Homens não sabe o que é o Amor.
Jesus é o próprio Amor. A entrega de si a todos os outros. O natal deve ser isso, um momento para refletirmos sobre o Amor e colocarmos o mesmo em prática.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Namoro na praia


Adoro a doçura salgada deste encontro...

Mais uma de Borboleta


Seres leves
Imprevisível voo
Sede saciada
em vida breve

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009