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domingo, 28 de março de 2010

TEIA 2010

Este é o primeiro texto e espero postar mais dois pelo menos.




Fortaleza(CE) - Um encontro nacional da cultura. Ponto a ponto a TEIA vem costurando a cultura brasileira. O objetivo dos pontos de cultura é promover ou facilitar atividades culturais que vem sendo desenvolvidas por ONGs e OSCIPs (Organização Social Civil de Interesse Público) do Brasil. O recurso de R$ 60 mil/ano durante três anos vem auxiliar principalmente a compra de equipamentos para a manutenção ou ampliação das atividades.
O TEIA este ano aqui em Fortaleza reúne cerca de quatro mil pessoas de todo o Brasil. São delegados de Pontos, Pontinhos e Pontões, Mestres da Cultura Popular, Griôs e artistas de todos os segmentos. Negros, índios, brancos e mestiços de modo geral. Mineiros, gaúchos, curitibanos, cariocas, paulistas, baianos, cuiabanos, enfim um caldeirão fértil e diversificado.
Aqui estão sendo feitas apresentações artísticas, seminários, debates que devem traçar caminhos novos a partir das experiências compartilhadas. No encontro também será realizado o III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura para o qual os delegados, 2500 de todo o Brasil, foram convocados.
Mato Grosso
A delegação do estado inclui 56 representantes, entre pontos e semelhantes, e ainda, o grupo de cururueiros que se apresentaram na sexta-feira e o Linha Dura que se apresenta no sábado. Os Pontos do Mato reúnem dois pontos do pólo Juína; quatro do pólo Alta Floresta; dois, Barra do Garças; Rondonópolis, quatro; Cuiabá, dezesseis; Cáceres,três; Tangará da Serra, cinco; Sorriso, um; Juara, um; Sinop, dois e ainda os Pontões Ação Cultural, Núcleo Baé e Viola de Cocho. Somam-se a estes os pontinhos: Poesia Necessária, Quintal Artístico, Praticutuca e os Pontos que estavam conveniados diretamente com o ministério da Cultura: Porto das Artes, Memória e Identidade Indígena, Cuca Araguaia do Mato Grosso, Rede Yawalapiti, Cultura Apowe e Índios em Rede.
Particularmente faço parte do Ponto de Cultura Espaço Vitória, no Jardim Vitória e firmamos o convênio com a secretaria de estado de Cultura em dezembro do ano passado. O ponto Espaço Vitória pretende atender à comunidade do bairro e adjacências como já vem fazendo o Espaço Vitória que vinculado ao Instituto Centro de Vida – ICV. As atividades são: arte reciclagem, design de produtos, audiovisual, fotografia, teatro, meta-reciclagem e robótica, sempre levando em consideração a perspectiva ambiental e eco-sustentável.

Economia da Cultura
Participei do seminário de debate intitulado Economia Viva, que mistura economia criativa, solidária e sustentabilidade. É incrível como ainda precisamos provar que cultura é representativa para o setor econômico. Já no avião víamos a força do encontro, calculo que 80% dos lugares ocupados no vôo eram de pessoas ligadas ao evento. Os hotéis lotados. O Sebrae ofereceu o almoço para quatro mil pessoas. Os ônibus passavam a cada meia hora. Quantos empregos foram gerados? Quantos impostos foram pagos? Quantos produtos artesanais ou não foram vendidos?



Entender os gargalos da atividade cultural passa necessariamente por uma política tributária mais justa e adequada à realidade do setor. Para que um ponto de cultura venda produtos ele deve ser uma empresa, para tanto ao se constituir juridicamente é taxada como uma empresa comum. Os editais liberam recursos e solapam a parte do leão e da previdência de imediato.







Quem quiser ver mais deste fotógrafo pode entrar no link do Flickr


domingo, 25 de outubro de 2009

Lara Matana




Há algum tempo venho acompanhando o trabalho da Lara Matana. Ela tem a seu favor algo que todo o artista almeja: estabilidade financeira. É engraçado, mas já ouvi críticas a ela por isso. Como alguém que não sofre pode ser artista? É engraçado por que ficamos discutindo a produção artística baseado nas condições de vida do artista. Se ele(a) é deslocado(a) da sociedade. Se sofreu abusos, se enfrenta Golias pelos desertos da vida. 



É claro que a arte é uma válvula de escape para situações extremas. Auxilia as pessoas a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, mas não é só isso. A arte também é estética. Falo sem medo de reduzir a arte da Lara à decoração e também sem reduzir o valor da mesma em um ambiente. A arte da Lara carrega consigo uma semente ecológica. Ela trabalha com resíduos de madeira que virariam pó e fumaça. Seu trabalho segundo Aline Figueiredo está muito ligado ao designe, vemos isso também e mais. 





Enxergar, como ela o faz, beleza num toco de árvore arrancado, ou enfeitar esta dureza retorcida com um abraço envolvente de uma cobra composta de pequenos pedaços de madeira entrelaçados vai além da decoração, sem dúvida.

E o que dizer de elementos trabalhados minuciosamente em finas lâminas de madeira dispostas de modo a imprimir a perspectiva infinita de um corredor. E quando ela o faz com cores que dão vida à madeira e apresentam formas e densidades diversas ao mesmo material inanimado nas mãos de meros mortais. Sim por que na sua mão ganham vida e vibram, e puxam o nosso olhar para além conduzindo-nos a uma experiência tridimensional.



Lara (re)cria formas, painéis, esculturas, quadros, faz isso há muitos anos e já conquistou o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais que recebem e comercializam seus trabalhos. Quando o diretor Fernando Meirelles escolheu uma de suas obras para o seu filme Ensaio sobre a cegueira nós noticiamos aqui no DC Ilustrado com alegria de quem conhece o trabalho de perto. 




Você pode apreciar a exposição até o dia 30 de outubro no museu de arte e cultura popular na UFMT, em horário comercial. Se quiser conhecer mais da artista visite o site: WWW.laramatana.com.

Nas palavras da mestre Aline Figueiredo fica o registro da sua sensibilidade: [Lara] “Olha os troncos por longo tempo, até ganhar-lhes a intimidade expressiva que vai sugerir e induzir o que neles interferir e recriar. Ora conserva os sulcos que considera mais expressivos, abre frestas e lhes introduz pequenos pedaços geométricos de madeira; ora lhes acrescenta grandes pedaços, bem alisados pelos tornos, a dialogar, assim, entre o rústico e a intervenção da máquina.” 



Ordilei, luz e sombra


As fotografias de “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Um estudo pertinente de luz e sombra

Cláudio de Oliveira
Da Reportagem

O que é a fotografia se não a grafia com a luz. A exposição do fotógrafo Ordilei Caldeira na galeria do SESC Arsenal está chegando ao fim. Em cartaz desde 12 de setembro finda neste domingo. A oportunidade de apreciar a sua arte está espalhada pela internet, mas esta exposição não está reunida em nenhuma das suas páginas que informamos ao fim da matéria.

Ordilei, como já dissemos anteriormente na matéria de lançamento da exposição, é um jovem fotógrafo, não fez trinta anos ainda, mas demonstra maturidade e sensibilidade nos seus registros.

As fotografias expostas em “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Eu sei, o termo provavelmente não existe, mas você que conhece a poesia concreta e for até a galeria do SESC a de concordar comigo. Econômico na informação, sobrepõe a luz com objetos como se estivesse construindo uma poesia concreta retalhando as palavras em informações visuais. Ele retalha a luz produzindo sensações poéticas, às vezes, abstratas outras vezes mensagens indiretas do objeto.

As fotos parecem feitas em preto e branco em quase sua totalidade, acredito que para explorar ao máximo o contraste proporcionado por este suporte. Mas as experimentações em cor como a da janela, a da parede com sua textura amarelada e espinhosa e a abstrata que nos leva ao que parece uma fresta de luz com detalhe triangular que lembra um seio feminino, também impõem uma harmonia e simetria interessante.

No canto da galeria o visitante pode brincar com as fotos do artista exercitando composições novas unindo as formas “aleatoriamente”. Fios de sombra que se unem a bancos e barras de metal promovendo uma gramática da luz. Elementos a serem postos em ordem ou não, com equilíbrio dinâmico. 




Ordilei não faz apenas fotos artísticas, conceituais ou abstratas. Seu repertório é grande e pode ser apreciado em muitos sites, por exemplo:http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=1618, tem inúmeras galerias criadas por ele como: natureza, urbe, pessoas, paisagens urbanas, macro e outras. No Flickr que é um dos fotologs mais utilizados do mundo, também guarda algumas (150) das suas obras: http://www.flickr.com/photos/ordicfoton/.

Para quem tiver o interesse em adquiri-las, elas estão a venda em Cuiabá na Fast Frame "Moldura na Hora" R. Estevão de Mendonça (próx. ao Choppão) e na Casa das Molduras, Rua 24 de Outubro. 




terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jericoacoara e a gastronomia




Julho, 2009 - Todas as férias são válidas. É verdade mesmo aquelas que não fazemos nada e ficamos em casa fazendo isso: nada. Às vezes é só o que queremos, não é! Bom, nestas férias não era isso que eu tinha em mente, nem mina esposa que estava ansiosa para curtir uma praia. Depois de muito avaliar resolvemos conhecer um lugar novo para nós: Jericoacoara. Eu já havia estado no Ceará há muitos anos e não tenho uma memória clara da experiência anterior. Contudo, minha esposa nunca tinha ido e resolvemos parar uns dias em Fortaleza com nosso filho.
A idéia foi chegar, descansar e “curtir” um city tour e em seguida ir para o beach park. O park aquático é realmente extraordinário. Mesmo sem ter feito nada além de cuidar do Artur foi tão bom vê-lo em êxtase com tanta água e escorregadores que não me arrependo nem um pouco. Para quem tem ISIC há um desconto de 20%. Vale a pena pois o ingresso adulto custou R$ 95,00.
No dia seguinte fomos para Jeri. A viagem começou mal, pois o transfer do hotel marcou para às 8h e chegou às 9h30. Paciência... O trajeto é longo. Para quem vai em dois casais é 1000 vezes melhor pegar um transporte particular (leia-se camionete ou land rover, R$ 100 ou 150 por pessoa respectivamente), no nosso caso fomos de microônibus o que custou R$ 65 por pessoa. Detalhe: o Artur de 3 anos também teve que pagar. Foram sete horas e meia. Isso mesmo, você não leu mal. Os 300 e poucos quilômetros dão uma canseira ‘braba’. Quando chegamos em Jijoca, que é o município ao qual pertence a praia (distrito) de Jeri troca-se de ônibus para uma jardineira toda aberta sem ar condicionado, onde comemos poeira durante pelo menos 50 minutos. Em um 4x4, particular, você gastaria 4h direto (sem paradinhas desagradáveis) com grande parte do trajeto pela praia.
A esta altura você pode pensar que não vale a pena tanto sacrifico, mas vale. Jericoacoara é um lugar mágico. Tudo muito simples, pé na areia o tempo todo e um cenário deslumbrante. Ficamos hospedados no Hotel Mosquito Blue. Ótimo. Com uma infraestrutura razoável, o restaurante onde tomamos café da manhã fica na praia, cercado de árvores e coqueiros e um chapéu de palha que fazem sombra e permitem uma visão privilegiada da praia de Jeri. No hotel tem duas piscinas e duas ‘jaccuzzis’ , além de sauna úmida.
Em Jeri optamos por conhecer os restaurantes evitando repeti-los. É claro que depois de descobrir o Tonhão, Sabor da Terra, ficou difícil não voltar. Mas tivemos a oportunidade de experimentar vários. O primeiro foi o do próprio hotel. A comida estava saborosa, mas o preço e a quantidade deixam a desejar. A noite comemos no Carcará que os meus pais recomendaram intensamente. Gostei, minha esposa achou sem sal. O ambiente é ótimo e as meninas apesar de um pouco aéreas atendem bem e são simpáticas. Lá se você tiver com criança pode pedir que elas tem giz de cera e papel para distrair os baixinhos. Nós comemos a sugestão do chefe, uma moqueca de peixe. É necessário dizer que minha esposa gosta de uma pimenta e de uma comida bem temperada e não foi o caso.
No dia seguinte ficamos na praia de Jeri. Não estava assim uma Brastemp porque este ano choveu demais e ainda havia muita areia em suspensão o que encobria o verde azulado característico do mar deixando uma impressão de rio. A duna do por do sol fica ao lado da praia é onde todos sobem para ver o sol se esconder no mar, uma visão linda. Neste dia almoçamos no Leonardo Da Vinci. Que maravilha!! Um espetáculo apesar do meu prato não ter sido assim o melhor, minha esposa pediu um filé com gorgonzola que enche a boca de saliva ainda hoje ao pensar nele. Eu comi uma massa feita lá, ótima, mas o acompanhamento, ou seja, o molho não me agradou muito. A carta de vinhos é excelente também, mesmo a taça era de um bom vinho.
No dia seguinte permanecemos na praia de Jeri e acertamos o passeio para as lagoas para o dia seguinte. E aproveitamos para andar um pouco na praia até a praia vizinha passando pelas pedras. Foi muito gostoso. O dia lá passa sem preocupação escorre lentamente como a areia nos dedos do meu filho. Paz e beleza que alegram o olhar.
O dia seguinte fomos a Tatajuba. Nossa que lugar lindo! No caminho passamos pela duna do funil que é altíssima e o Artur (3) topou descer no skibunda. Eu e a Marcella também descemos. Achei graça quando o cara disse para nos convencer que era R$ 5 e podia descer quantas vezes quisesse. Depois de descer e mergulhar na lagoa verdinha lá embaixo parece que a gente vai de novo, mas a subida desmotiva totalmente. Que canseira! Cheguei lá em cima e ouvi ele dizendo para outro desavisado se descer quatro vezes não paga! KKKKKKK. Só o Artur desceu de novo e claro o menino que desceu com ele o trazia no braço de volta. Impressionante a disposição deles que descem diversas vezes pois buscam o ski lá embaixo sempre que alguém desce e andam para chegar na duna com seus isopores pelo menos uns 2Km.
Em Tatajuba há redes na água. Um deleite. A comida é um caso a parte. Quando pedimos o cardápio o garçom trouxe uma bandeja com lagosta, camarão e peixe. Escolhemos a lagosta e o camarão pois não sabíamos se o Artur ia gostar de lagosta. Bom ele e nós comemos até nos esbaldar. A lagosta servida fartamente (pelo menos 8) passadas na brasa e o camarão e acompanhamentos. Nossa! Estava maravilhoso. O preço então! Pelas lagostas eu me lembro, pagamos R$ 40,00.
Pedimos algumas dicas para o bugueiro que falou dos restaurantes da Dona Amélia e do Tonhão. Fomos experimentar a Dona Amélia e para a Marcella o melhor arroz de Jeri. O camarão estava ótimo. Não resistimos e comemos de novo na Dona Amélia e aí uma moqueca de peixe que estava divina na noite do dia seguinte.
Durante este dia fomos à lagoa do coração e à Barrinha. Piscinas de água de chuva no meio das dunas. A água transparente o calor incrível e o convite inevitável ao banho. Experimentamos um camarão na lagoa do coração que também estava muito bom, apesar do preço não ser assim tão convidativo , R$ 20 por dez camarões grandes. O almoço este dia foi na praia de Azul do Mar. Um restaurante apreciado pelo Guia Quatro rodas e que faz jus a sua estrela. Comemos um peixe maravilhoso!! Super simples o espaço do restaurante fica na areia e o restaurante em si, cozinha e etc, fica do outro lado da rua. A praia do Preá, endereço do rest., é o paraíso para o kite surf com um vento permanente.
No dia seguinte descobrimos o Tonhão. O restaurante Sabor da Terra fica na rua do Forró, a mesma do Carcará e da Dona Amélia. O sabor e o preço são incomparáveis. Comemos muito bem, fomos bem servidos e não pagamos muito por isso. Resultado voltamos outras duas vezes. Comemos lá lagosta e camarão. No Carcará voltamos mais uma vez para fazer a prova dos nove, mas de novo não foi 100% pois o bobó de camarão que minha esposa pediu estava muito sem graça. O risoto que eu pedi de camarão estava bom. Mas o preço lá não é muito convidativo, para pagar R$ 100,00 na conta preferi o Leonardo Da Vince que fica na principal mais abaixo da onde a rua se fecha para o tráfego de carros.
No caso do passeio de buggy sugiro uma visita na rua principal à associação de bugueiros, assim você fica respaldado até pra negociar com outros bugueiros que chovem nos hotéis.

Em Fortaleza

Comemos em diversos restaurantes indicados pela Revista Veja. Entre eles: Vignoli (Pizzaria), Sal e Brasa (churrascaria) e Lô (contemporânea). Disparado o melhor deles sem dúvida nenhuma foi o Lô. Uma surpresa hiper agradável com um bacalhau que está entre os melhores que já comi na vida. Olha que a minha Vogra (Vó da minha esposa) é portuguesa e faz um bacalhau divino. E conheço também o do Antiquarius e um outro maravilhoso aqui da Chapada dos Guimarães conhecido por Restaurante Estilo, que já foi surpreendente e hoje não sei como anda porque as duas últimas visitas que fiz fiquei triste com o resultado (acho que a dona não cozinha mais e as cozinheiras ainda não conseguiram aprender 100%).
Bom é isto... Se eu lembrar de mais alguma coisa eu posto depois. Valeu!







tem no meu flickr algumas fotos da Pedra Furada.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cidade de Pedra


Uma pedra e um ser empunhando um tacape e um escudo.

pelo menos foi isso que eu vi.

claro um por do sol mágico tecia a cena.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cuiabá


Uma das imagens que mais gosto de Cuiabá é uma lua cheia que fiz a anos e ainda continua bela...
Não se você também acha!?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dubai




Dubai, 14-04-09. 4 AM

Jet Lag. Eu pensei que tinha resolvido no primeiro dia pois dormi como um bebê assim que cheguei até o outro dia. Mas aqui estou sem sono nenhum pensando em todo o impacto causado em mim por esta cidade e tudo o que ainda verei na China hoje, depois de mais oito horas de vôo até Gouanghzu. È imagino que o Jet lag talvez persista até eu voltar para o Brasil quem sabe!?
De todo modo o tópico para este post é Dubai. Esta cidade talvez seja o exemplo vivo do que o SEBRAE vive propalando aos sete ventos, uma palavra simples, relativamente fácil de explicar, mas muito difícil de colocar em prática: empreendedorismo. Sim, Dubai é fruto da cabeça empreendedora e de uma visão de longo alcance (ehehe, lembrei dos Thundercats, mas o sheik provavelmente nem conhece o Lion). Acontece que em 1990 o sheik Rashid Bin Saeed Al Maktoum já sabia que o petróleo ia acabar em breve, sim vinte ou trinta anos para este homem era curto prazo. Ele então começou a pensar em projetos para transformar o deserto em uma terra produtiva. Não, ele não chamou a Embrapa nem a Monsanto com suas sementes modificadas de soja, especiais para terras áridas. Ele vislumbrou uma cidade cosmopolita. É claro que não era tão difícil ver Dubai nesta posição já que o porto daqui sempre foi muito importante para a ligação Ásia e Europa. Hoje, inclusive Dubai é um dos cinco maiores portos do mundo em movimento e está sendo ampliado pela brasileira Odebrecht.
Mas que visão foi essa então, né!? O que tem de especial em fazer uma cidade crescer quando se têm petrodólares circulando a rodo!? Bem, o que podemos observar ao redor de Dubai é um propósito de servir aos cidadãos e não à família real (ou os amigos) como é comum por estes lados (para não dizer em qualquer lugar onde o poder é exercido). O sheik viu a possibilidade de construir uma cidade melhor com tudo o que há de melhor.
Seu primeiro desafio foi ter terras boas que incentivassem o capital internacional. Bom, pensou ele, temos 72 Km de costa (aqui os dados são as vezes contraditórios já que a página de Dubai na internet fala em 60 Km e este dado nos foi passado na Anakheel – construtora do grupo Jumeira, de propriedade do sheik) quero dobrar isso. Parece óbvio, quem não sabe que a beira-mar é a área mais valorizada quando se pensa em empreendimento imobiliário, não é verdade!? É óbvio! Pois bem ele não duplicou apenas. Com todos os projetos em andamento ele está acrescentando à Dubai mais de 1000 km de costa. Seus projetos são tão audaciosos que é quase impossível por em palavras sua visão.
Ele contratou uma empresa holandesa com seus técnicos e máquinas para fazer ilhas artificiais e claro com conceitos estupendos. Por exemplo, a já mundialmente famosa Palm Jumeirah. Trata-se de um conjunto de ilhas que formam no mar o desenho de uma palmeira, significado da palavra Anakheel, nome da sua empresa. Com o metrô sendo finalizado, prédios, casas de luxo, resorts internacionais, parques temáticos e areia, muita areia do mar ele está erguendo um monumento para 1,1 milhão de pessoas. Olha que Dubai tem apenas 1,5 milhão de habitantes. Todo os Emirados Árabes(sete) têm segundo o nosso guia local Cristiano Cabral, cinco milhões de habitantes. Contudo o mesmo Cristiano questiona os números já que apareceram três milhões de pessoas pedindo renovação d visto que se encerram quando a pessoa fica sem empregador ou quando vence três anos.
Como estratégia de venda o Sheik Mohamed Bin Rashid Al Maktoum, filho do Sheik Rashid e atual monarca, ofereceu vistos de 99 anos para aqueles que comprassem casas no empreendimento, o resultado foi impressionante. Tudo foi vendido em três dias. Ele captou assim com o conceito e com esta facilidade bilhões de dólares de todo o mundo para iniciar o seu primeiro projeto. Isso foi em 2001. Até hoje não está pronto e a previsão é para 2010. Mesmo sendo do próprio Sheik o desafio lançado à sua empresa de duplicar a costa quando a empresa apresentou a solução ele desdenhou dela e solicitou um empreendimento maior, foi quando surgiu Palm Jebel Ali, o dobro da Palm Jumeirah. E a esta uma sucessão de projetos imobiliários e de prédios fantásticos.
Na Jebel Ali ele escreveu em árabe, em volta do “loteamento” uma poesia, sim ilhas pequenas em formas de palavras. Neste empreendimento entraram empresas como Bush Garden, Sea World, Aquatica, só para citar os parques temáticos. Um projeto para os próximos vinte anos. Junto com este ele lançou vários outros como um forma mundo, a The World. Sim, ilhas dispostas na forma do mapa mundi. Nesta, apenas convidados podem adquirir terrenos.
Para se ter uma ideia da valorização do terreno (antes água) das casas do Jumeirah elas foram vendidas 1,2 milhão de dólares, hoje valem cinco milhões de dólares. Antes que os ambientalistas o acusem de destruir o fundo do mar, explico, o mar aqui é interno, Golfo Pérsico (ou arábico, como eles preferem) é um deserto aquático, ou era, pois ele estão atraindo espécies e formando corais ao redor das construções. Ah, se a sua preocupação é o aquecimento global saiba que eles fizeram barreiras que se elevam a cinco metros acima do nível do mar para evitar ou postergar em centenas de anos a preocupação com a subida do nível do mar.
E claro, não foi só o mar que recebeu tratamento desta visão especial se não a cidade inteira está passando por transformações constantes. O maior prédio do mundo não acabou de ser construído aqui e eles já tem um projeto para um maior ainda. O shopping aqui tem uma pista de esqui artificial indoor. Tudo aqui é grande e como eu disse lá trás não é só para os apaniguados do cacique, mas para todos.
Aqui o trabalhador estrangeiro com visto tem direito a casa, saúde e educação. Sim seu salário é praticamente liquido. O cidadão então, nem se fala. Pode estudar em qualquer universidade do mundo. É sócio obrigatório de empresas multinacionais que queiram investir nos Emirados (a exceção para as áreas da cidade tidas como zona franca). Com a crise, por exemplo, começaram algumas demissões e o Sheik Bin Maktoum baixou um decreto: pode demitir todo mundo menos os cidadãos dos Emirados.
Aqui estão empresas de todo o mundo. Ponto crucial na logística internacional Dubai cada vez mais apaga a lembrança do óleo escuro e caminha na direção do comercio internacional e do turismo. Eu ainda volto para falar mais deste lugar, das mulheres daqui, do deserto e das construções arquitetônicas exuberantes deste país de Thundercats. A propósito vou postar uma foto do litoral de Dubai num futuro próximo, para o sheik.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mais uma de Borboleta


Seres leves
Imprevisível voo
Sede saciada
em vida breve

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009