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domingo, 25 de outubro de 2009

Lara Matana




Há algum tempo venho acompanhando o trabalho da Lara Matana. Ela tem a seu favor algo que todo o artista almeja: estabilidade financeira. É engraçado, mas já ouvi críticas a ela por isso. Como alguém que não sofre pode ser artista? É engraçado por que ficamos discutindo a produção artística baseado nas condições de vida do artista. Se ele(a) é deslocado(a) da sociedade. Se sofreu abusos, se enfrenta Golias pelos desertos da vida. 



É claro que a arte é uma válvula de escape para situações extremas. Auxilia as pessoas a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, mas não é só isso. A arte também é estética. Falo sem medo de reduzir a arte da Lara à decoração e também sem reduzir o valor da mesma em um ambiente. A arte da Lara carrega consigo uma semente ecológica. Ela trabalha com resíduos de madeira que virariam pó e fumaça. Seu trabalho segundo Aline Figueiredo está muito ligado ao designe, vemos isso também e mais. 





Enxergar, como ela o faz, beleza num toco de árvore arrancado, ou enfeitar esta dureza retorcida com um abraço envolvente de uma cobra composta de pequenos pedaços de madeira entrelaçados vai além da decoração, sem dúvida.

E o que dizer de elementos trabalhados minuciosamente em finas lâminas de madeira dispostas de modo a imprimir a perspectiva infinita de um corredor. E quando ela o faz com cores que dão vida à madeira e apresentam formas e densidades diversas ao mesmo material inanimado nas mãos de meros mortais. Sim por que na sua mão ganham vida e vibram, e puxam o nosso olhar para além conduzindo-nos a uma experiência tridimensional.



Lara (re)cria formas, painéis, esculturas, quadros, faz isso há muitos anos e já conquistou o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais que recebem e comercializam seus trabalhos. Quando o diretor Fernando Meirelles escolheu uma de suas obras para o seu filme Ensaio sobre a cegueira nós noticiamos aqui no DC Ilustrado com alegria de quem conhece o trabalho de perto. 




Você pode apreciar a exposição até o dia 30 de outubro no museu de arte e cultura popular na UFMT, em horário comercial. Se quiser conhecer mais da artista visite o site: WWW.laramatana.com.

Nas palavras da mestre Aline Figueiredo fica o registro da sua sensibilidade: [Lara] “Olha os troncos por longo tempo, até ganhar-lhes a intimidade expressiva que vai sugerir e induzir o que neles interferir e recriar. Ora conserva os sulcos que considera mais expressivos, abre frestas e lhes introduz pequenos pedaços geométricos de madeira; ora lhes acrescenta grandes pedaços, bem alisados pelos tornos, a dialogar, assim, entre o rústico e a intervenção da máquina.” 



Ordilei, luz e sombra


As fotografias de “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Um estudo pertinente de luz e sombra

Cláudio de Oliveira
Da Reportagem

O que é a fotografia se não a grafia com a luz. A exposição do fotógrafo Ordilei Caldeira na galeria do SESC Arsenal está chegando ao fim. Em cartaz desde 12 de setembro finda neste domingo. A oportunidade de apreciar a sua arte está espalhada pela internet, mas esta exposição não está reunida em nenhuma das suas páginas que informamos ao fim da matéria.

Ordilei, como já dissemos anteriormente na matéria de lançamento da exposição, é um jovem fotógrafo, não fez trinta anos ainda, mas demonstra maturidade e sensibilidade nos seus registros.

As fotografias expostas em “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Eu sei, o termo provavelmente não existe, mas você que conhece a poesia concreta e for até a galeria do SESC a de concordar comigo. Econômico na informação, sobrepõe a luz com objetos como se estivesse construindo uma poesia concreta retalhando as palavras em informações visuais. Ele retalha a luz produzindo sensações poéticas, às vezes, abstratas outras vezes mensagens indiretas do objeto.

As fotos parecem feitas em preto e branco em quase sua totalidade, acredito que para explorar ao máximo o contraste proporcionado por este suporte. Mas as experimentações em cor como a da janela, a da parede com sua textura amarelada e espinhosa e a abstrata que nos leva ao que parece uma fresta de luz com detalhe triangular que lembra um seio feminino, também impõem uma harmonia e simetria interessante.

No canto da galeria o visitante pode brincar com as fotos do artista exercitando composições novas unindo as formas “aleatoriamente”. Fios de sombra que se unem a bancos e barras de metal promovendo uma gramática da luz. Elementos a serem postos em ordem ou não, com equilíbrio dinâmico. 




Ordilei não faz apenas fotos artísticas, conceituais ou abstratas. Seu repertório é grande e pode ser apreciado em muitos sites, por exemplo:http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=1618, tem inúmeras galerias criadas por ele como: natureza, urbe, pessoas, paisagens urbanas, macro e outras. No Flickr que é um dos fotologs mais utilizados do mundo, também guarda algumas (150) das suas obras: http://www.flickr.com/photos/ordicfoton/.

Para quem tiver o interesse em adquiri-las, elas estão a venda em Cuiabá na Fast Frame "Moldura na Hora" R. Estevão de Mendonça (próx. ao Choppão) e na Casa das Molduras, Rua 24 de Outubro. 




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O lado Oculto de Pessoa



Claudio de Oliveira
Da Reportagem

Um senhor com seus quase oitenta anos esteve em Cuiabá a revelar um segredo. Mantido oculto por setenta anos sob o pudor da sua família. O “Encontro Magick de Fernando Pessoa com Aleister Crowley” foi publicado por Miguel Roza em 2001 pela Hugin Editores. Dr. Luiz Miguel Roza Dias é médico, cirurgião geral e escritor, mas o que realmente chama a audiência é o seu parentesco com o mestre da língua portuguesa, o poeta e tradutor, Fernando Pessoa.
Miguel Roza é sobrinho do poeta e conviveu com o mesmo durante a sua primeira infância (até os seis anos), pois o mesmo morava em sua casa em Lisboa. A sua mãe era irmã de Pessoa e católica de formação o que provavelmente a levou a esconder, ou evitar segundo Roza, o envelope onde Pessoa escreveu Aleister Crowley. O envelope pardo ficou sob os cuidados da família enquanto o resto dos bens, a exceção das coisas mais pessoais, foram encaminhados para a Biblioteca Nacional portuguesa.
Situemo-nos: Fernando Pessoa - Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, 13 de Junho de 1888 e faleceu na mesma cidade em 30 de Novembro de 1935. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, juntamente com Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. Segundo Roza ele teve uns 150 heterônimos. Para quem desconhece o dicionário Houaiss explica assim: “nome imaginário que um criador identifica como o autor de obras suas e que, à diferença do pseudônimo, designa alguém com qualidades e tendências marcadamente diferentes das desse criador.” Seria assim um fenômeno de personalidades múltiplas. Léo Schlafman fala em 72 heterônimos.
Por outro lado: Aleister Crowley (1875-1947), inglês, autor de renome e pintor, Mestre Supremo da Obediência Secreta da «Golden Dawn», monge tibetano e alpinista, espião, agente duplo, viajante e aventureiro, e já conhecido pela elite internacional como «o pior homem da Inglaterra». As obras (quase) completas de Crowley estão publicadas em http://www.hermetic.com/crowley/index.html. Entre outras coisas Crowley assinava 666 e pregava o poder supremo da Vontade. O ocultista influenciou, por exemplo, o músico Raul Seixas, notadamente na canção ‘Viva a Sociedade Alternativa’.
Na época o mago já era odiado pelos religiosos especialmente por suas táticas de libertação da vontade que incluíam drogas e sexo segundo seus detratores. Desse modo, ficam claros os motivos pelo qual a família (no caso a irmã) não queria que as pessoas soubessem mais detalhes do encontro. Na verdade este encontro não se resumiu a um ou dois dias em Portugal, mas sim a uma série de cartas trocadas por ambos que hoje são chamadas Dossier Pessoa-Crowley e que inclusive foram vendidos em leilão realizado em Portugal em novembro de 2008. Segundo o jornal Correio da Manhã: “Dossier Pessoa-Crowley Para Desconhecido - O dossier que reúne a correspondência entre Fernando Pessoa e o ocultista britânico Aleister Crowley, um dos destaques do leilão de bens do poeta realizado ontem à noite (dia 13-11-08) no Centro Cultural de Belém, foi arrematado por 50 mil euros através de um telefonema, a repercussão foi publicada pela blogueira Maria Manuel que lamentou a saída deste e de outros pertences do mestre português, você acha mais sobre o assunto no link: http://marcadordelivros.blogspot.com/2008/11/segundo-o-jornal-correio-da-manh.html. Este dossier tem por volta de 800 páginas e tem as cartas que Fernando Pessoa trocou com Crowley já que as enviadas eram datilografadas na máquina com auxílio de um “químico” (carbono) segundo Roza. O sobrinho então de posse deste material organizou um livro citado lá em cima e que ganha agora uma segunda edição por outra editora. Entre os documentos estão jornais da época que dão conta do “suicídio” de Crowley ao qual Pessoa auxiliou e repercutiu nos jornais.

Pessoa Esotérico
Na sua palestra sobre o Pessoa esotérico ele falou sobre este encontro e sobre os estudos de Pessoa sobre alquimia, magia, astrologia, teosofia e tantas quantas fossem as ciências ocultas, todas pareciam interessar ao intelecto do poeta. Quiromancia, estudo da face, das mãos, mapas astrais que Pessoa fez para si, seus familiares, heterônimos e uma enormidade de pessoas famosas e até entes abstratos. A propósito destes mapas foi a sua fluência no assunto que instigou o mago a querer encontrá-lo em Lisboa. Ele escreveu a Crowley: “Se tiverem, como provavelmente têm, oportunidade de comunicar com o Sr. Aleister Crowley, talvez possam informá-lo de que o seu horóscopo não está correcto e que, se ele admite que nasceu às 23h. e 16m. 39s. de 12 de Outubro de 1875, terá Carneiro 11 no seu meio-céu, com o correspondente ascendente e cúspides. Encontrará então as suas direcções mais exactas do que provavelmente as encontrou até agora. Isto é mera especulação, claro, e peço desculpa de vos maçar com esta intromissão puramente fantasista no que é, afinal de contas, apenas uma carta comercial.” A citação está em um estudo da Universidade Nova de Lisboa que pode ser encontrada aqui: http://www2.fcsh.unl.pt/deps/estudosalemaes/Pubs/P_Helena_Barbas_29_Jan_2003.asp
Para Léo Schlafman que publicou alguns artigos no Jornal da Poesia sobre Pessoa: “Goethe, como Fernando Pessoa, foi devoto cultor das ciências mágicas; iniciado numa loja maçônica desde os anos juvenis, pertenceu sucessivamente a várias sociedades secretas de fundamentos ocultistas... "Não procures, nem creias: tudo é oculto", disse Fernando Pessoa, para ser depois contraditado por Alberto Caeiro(heterônimo) que afirmou: "O único sentido oculto das coisas / é elas não terem sentido oculto nenhum." Sua mediunidade o levou às práticas ocultistas, à defesa da Rosa-Cruz e da maçonaria, à astrologia, à numerologia. Um intelectualista do tipo que ele era fez entrar na construção mental o que podia caber: o inteligível e o ininteligível, o racional e o irracional, o visível e o invisível, o claro e o misterioso, constituindo um sistema mágico nas suas conclusões embora desprovido de comprovação objetiva. Tudo se passou como se a subliteratura mística de onde extraía alento, ao atravessar seu cérebro privilegiado, saísse do outro lado filtrada e rarefeita do ponto de vista estético.”
Entre outras coisas Luis Miguel contou ao DC Ilustrado que seu tio se apaixonou pela namorada de Crowley. O mago tinha 54 anos, Hanni Larissa Jaeger tinha 19, e Pessoa, 42. O encontro teria motivado o primeiro poema erótico do poeta. Roza afirma que é impossível dizer se Pessoa era mesmo iniciado na maçonaria já que o mesmo negou em um artigo. Após a conclusão da palestra que aconteceu no Palácio da Concórdia uma das pessoas presentes perguntou como a família reagia aos heterônimos e qual efetivamente mais se parecia com o Fernando Pessoa. Ele respondeu: “É impossível saber, para nós era uma brincadeira. Para ele não sei dizer. É provável que ele era todos e nenhum. Acho que ele dissociava-se a si próprio para encontrar a si mesmo”.

Publicado originalmente na edição de 23-08-09 do Jornal Diário de Cuiabá

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Espía, vamo Twittá?

Você acredita em paranormalidade? Aquele fenômeno que ocorre além da natureza, ou melhor, sobrenatural. Episódios de séries como Arquivo X e outros tantos, além de programas e até novelas apostam na paranormalidade para alavancar audiência. Se você acredita ou mesmo se concede o benefício da dúvida é compreensível, mas por conta disso você acompanharia um pesquisador no Twitter que propôs estudar o assunto?

Tudo bem você não sabe nem o que é Twitter? É um serviço de micro-mensagens instantâneas que podem ser enviadas por telefone ou pela página do Twitter para os seus followers, traduzindo: seguidores. É isso, celebridades ou não, as pessoas têm se cadastrado no site para enviar mensagens de até 120 toques instantaneamente àqueles que querem saber, teoricamente, o que eles estão fazendo.

No Brasil o serviço ainda tem poucos adeptos e mesmo jovens conectados ainda não têm direito a ideia do que é o serviço. Nos Estados Unidos e na Europa a brincadeira é uma febre ao ponto das pessoas comunicarem a ida ao médico, resultado de exames, humor e afazeres cotidianos permanentemente.

Esta sociedade hiperconectada que leva os amigos para o banheiro, incapaz que é de largar o celular por um minuto. Um exemplo de mensagem instantânea: “ok, a parada (gay) foi linda e coisa e tal, mas a sujeira que ficou na frente de casa é nojenta. me poupem. porquice imperou mais q purpurina. Afê” http://twitter.com/unhasescarlate a aproximadamente 21 horas ago from web.

Agora que você já sabe o que é o Twitter vamos voltar ao princípio. O cientista, psicólogo americano professor Richard Wiseman pediu para que um grande número de pessoas que acreditava ter poderes paranormais o seguissem via Twitter. Durante quatro dias seus seguidores foram desafiados a descobrir onde o professor estava descrevendo o ambiente. Em seguida ele mandava imagens (5) para que estas pessoas escolhessem onde ele estava. O resultado aponta para uma vontade de acreditar daqueles que se diziam paranormais, forçando às vezes correlações entre o local correto e suas ilações.

Como disse no começo, isso é o de menos, interessante é a gente notar que a ferramenta sócio-tecnológica pode ser utilizada com objetivos mais nobres do que simplesmente colocar a sua vida e opinião particular sobre o cotidiano em um aquário público.

Publicado originalmente no jornal Diário de Cuiabá

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cuiabá


Uma das imagens que mais gosto de Cuiabá é uma lua cheia que fiz a anos e ainda continua bela...
Não se você também acha!?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um Show Inesquecível




Ela entrou com dez minutos nobres de tolerância. A rainha dominou o palco no primeiro suspiro. Sua voz sem esforço preenchia cada poro do corpo, eriçava o pelo até daqueles que estavam ali apenas para acompanhar um ou uma fã. A majestade de Maria Bethania impõe-se não só pela voz, mas também por sua postura rica em sentido e sentimento que transbordaram pelo Centro de Eventos do Pantanal, na noite de quinta-feira.

A casa lotada e o silêncio reverente da plateia que ovacionava a cada música impunham mais respeito. Ela abriu com “Nana” e em seguida “Beira-mar”, um sucesso poético cujo refrão guarda uma verdade suave como o vento: “Em todo o mar tem rio, e em todo o seu som tem ar e oxigênio para alimentar a todos nós”.

Em seguida entoou o hino do sertão: “Asa branca”. E o mar adentrou o Pantanal e sua religiosidade atravessou o público com o “Capitão do mato”. Em seu caminho entremeava músicas mais agitadas e mais introspectivas com uma energia de deixar as novas cantoras da MPB brasileira babando na sua verve. “Explode o coração”. Vibra a plateia de pé totalmente dominada e submissa a sua “Estrela D’alva”. Um pé no freio, uma poesia e os “Olhos nos olhos” levantam a multidão. Os aplausos, gritos e manifestações de carinho envolvem a artista, que agradece repetidas vezes: “Obrigada, senhores!”

Então ela se retira do palco após a “Volta por cima” e abre espaço para um show instrumental. Senhores de cabelo branco, média idade e mais novos dão um espetáculo a altura da sua voz enquanto a abelha-rainha respira para retornar ao controle da colmeia. Bateria, percussão rica, violoncelo, contrabaixo acústico, teclado, sanfona e violão, uma corte digna de sua majestade.

Retorna em “Reconvexo” e convida para a Bahia depois de oferecer o “Doce”. Um samba gostoso com cheiro do acarajé e a levada do candomblé. Em seguida introspectivamente, a doçura de um “Sábado em Copacabana”. Os pés no chão, o patuá no peito guardado por dois cavalos marinhos brilhantes davam o tom do figurino simples completado por uma saia estampada e um pulso cheio de pulseiras douradas.

Em ritmo de oração Terezinha dá lugar ao lamento: “Negue, negue que me pertenceu, diga que já não me quer...” E eis que chega uma carta e a poesia eriça o público que responde de pé. “Todas as cartas de amor são ridículas. As cartas de amor têm que ser ridículas. Quem me dera saber no tempo em que as escrevia que eram ridículas. Eu também escrevi cartas ridículas. Mas enfim as pessoas que nunca escreveram uma carta de amor é que são ridículas”.

Uma pausa para agradecer o convite novamente e lembrar da extraordinária Vanessa da Mata. “Em nome dela e de todos os músicos, poetas e artistas desta linda cidade e deste lindo estado, obrigada pelo convite”, suspira Bethânia.

Depois de sonhar um “Sonho impossível”, a gente não quer só “Comida”, a gente quer diversão e arte. A gente quer inteiro e não pela metade. Uma versão pausada e pesada. Uma ordem da rainha, mais arte, desejo, necessidade e vontade.

Então um lamento, uma suave melodia elocubrando as estrelas e a beleza do “Céu de Santo Amaro” recheado pelo Soneto de Fidelidade do inesquecível poetinha Vinicius de Morais. Em seguida um samba para elevar a moral e lavar as lágrimas salgadas da poesia. Como não poderia deixar de ser o bis: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma economia de mercado



Uma imensa feira de ilustres desconhecidos. Dez vezes o tamanho do Anhembi em São Paulo, repleto de todos os tipos de produtos genéricos que você possa imaginar de prego, cabo, tomada, a caminhão, trator e máquinas pesadas. Passando, é claro, por materiais de construção em geral e informática. Teoricamente todos que lá estão são fabricantes. Produzem em grande quantidade e vendem a preços que comparativamente com os adotados no Brasil representam apenas 20%.
A feira de Guangzhou, ou Canton Fair, na China, como é mais conhecida, está na sua 105ª edição. Ela se divide em três fases com 55 mil expositores tomando conta dos 1,1 milhão de metros quadrados. A estimativa é que este ano a feira iniciada em 15 de abril e que se estende até 7 de maio, movimente o equivalente US$ 10 bilhões, pelo menos. A primeira fase da feira encerrou em 19 de abril, momento acompanhado de perto por uma comitiva de empresários estaduais, organizados pelo Sebrae/MT. Nesta fase estavam expostos produtos como: eletrônicos e eletrodomésticos, hardwares e ferramentas, maquinário, veículos e peças, materiais de construção, equipamentos de iluminação e produtos químicos.
A segunda fase começou no último dia 23 de abril e vai até 28 com o foco em produtos de decoração, presentes e consumer goods. A terceira fase entra em exposição de 3 a 7 de maio com materiais de confecção e tecidos, sapatos, equipamentos para escritório, malas, produtos de recreação, produtos medicinais, remédios e equipamentos para a saúde, alimentação e produtos nativos.
Chegar até a feira é tarefa fácil pra quem está na cidade. Metrô, ônibus gratuitos ou mesmo táxis fazem o percurso dos hotéis ao complexo da feira constantemente. São duas estações de metrô que servem ao evento: Xingang Dong e a Pazhou. A melhor opção obviamente é aquela cuja linha passa mais próximo do hotel em que se está hospedado de preferência que não tenha de fazer baldeação. Todavia, mesmo que tenha de fazê-la não há o que temer, já que todos os nomes estão escritos em inglês e com um mapa das linhas disponíveis em todas as estações fica fácil se localizar.
A missão do Sebrae/MT contou em Guangzhou com sete intérpretes, um para cada grupo de três empresários em média o que facilita e muito as negociações com os chineses. A feira não é para curiosos, apesar destes se esbaldarem nas múltiplas possibilidades de compra e de negócios. A feira é para profissionais. Para quem sabe o que quer e não para o transeunte sem bússola. O fato da empresa (fábrica) chinesa estar com um estande na feira não significa que ela é idônea. O ideal segundo informações levantadas no local com pessoas mais experientes em negócios com empresários chineses, é visitar as fábricas. Conhecer os locais de produção e avaliar a capacidade e a idoneidade das empresas antes de encomendar e pagar adiantado para o início da produção. O risco é ver o seu dinheiro transformado em fumaça junto com a empresa fantasma. É bem provável que o governo chinês não tenha interesse nenhum em facilitar a vida destes ectoplasmas, contudo devido ao imenso movimento, quem acaba pagando para ver é o empresário que dificilmente terá o seu dinheiro de volta no caso.
Ainda que consigamos comprar amostras, especialmente nos últimos dias de cada fase da feira, a venda é facultada a grandes encomendas. As quantidades variam conforme a mercadoria, um MP5 4Gb expansível (equipamento eletrônico de áudio e vídeo), por exemplo, tem encomenda mínima de 500 unidades com o convidativo preço de U$ 20 cada. No Brasil um destes não sai por menos de R$ 300. Outro exemplo levantado são os cabos de HDMI. No Brasil são vendidos a R$ 120, na feira podiam ser encomendados a U$ 1,20. É claro que para comprar um trator ou uma grua não há necessidade de grandes encomendas, depende da mercadoria que se está negociando.
A primeira visita tende a ser de reconhecimento da área. Um raio-X das oportunidades de negócio. Caso o interesse seja confirmado o empresário pode e deve buscar o auxílio de importadores para conhecer as taxas e impostos além dos custos de logística. Como no Brasil há aqueles que têm qualidade e os que não têm, vai do ‘faro’ e dos cuidados que o empreendedor se cercar para obter sucesso neste negócio da China.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Artigo DCbá - Natal

Todo ano comemoramos em illo tempore o nascimento de Jesus. Revivemos, teoricamente, aquele momento especial para humanidade. Receber na Terra, em carne e osso, Deus filho. Há muito tempo cientistas buscam uma prova da existência de Jesus. Para a ciência não bastam os relatos dos Evangelhos, ou mesmo, o sudário de Turim, que, aliás, foi alvo de questionamentos contundentes há pouco tempo. Já ouvi diversas vezes comentários de que o nascimento de Jesus não se deu em dezembro. Pelas características climáticas deste período do ano e pelas interpretações feitas por estudiosos dos textos bíblicos.
A pesquisa mais recente é do astrônomo australiano Dave Reneke e sugere que Jesus Cristo tenha nascido no dia 17 de junho, e não em 25 de dezembro. E não no ano 0, mas dois a três anos antes. Sua pesquisa utiliza-se de um software capaz de reposicionar os astros e estrelas no céu há milhares de anos. Sua conclusão se deve ao alinhamento de Vênus e Júpiter no ano de 2 a.C.. Esta conjunção, segundo ele, teria emitido um forte brilho no céu noturno e poderia ter sido confundido com a Estrela Guia dos três Reis Magos.
Longe de querer polemizar colocando a ciência e a religião no mesmo ringue em lados opostos, o astrônomo salienta que isto deve reforçar a fé já que existiu sim, no céu, um fenômeno atípico no mesmo período em que Jesus nasceu.
Lendo a notícia da BBC Brasil me pergunto: Que diferença isso faz? Para mim nenhuma, se Ele nasceu em dezembro ou junho, continua sendo Jesus Cristo o Salvador, filho de Deus e o próprio Deus em pessoa, que habitou entre os nós. Que foi crucificado, morto e sepultado para a remissão dos pecados, inaugurando um novo tempo para a humanidade.
Jesus trouxe para a humanidade o verdadeiro Amor e o Perdão. Veio trazendo mais luz sobre os ensinamentos divinos. Resumiu habilmente todos os mandamentos em só: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.
Passados dois mil anos a humanidade ainda não conseguiu por isto em prática. Ainda ama possessivamente. Cheia do que não presta como o ciúme, inveja e orgulho. Não bastaram todas as palavras e prática de Jesus. Não bastou Paulo traduzir de maneira maravilhosa o que é o Amor na sua I Carta aos Coríntios 13 e colocá-lo sobre todos os outros dons. Ainda hoje a maioria dos Homens não sabe o que é o Amor.
Jesus é o próprio Amor. A entrega de si a todos os outros. O natal deve ser isso, um momento para refletirmos sobre o Amor e colocarmos o mesmo em prática.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mais uma de Borboleta


Seres leves
Imprevisível voo
Sede saciada
em vida breve

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009