Você acredita em paranormalidade? Aquele fenômeno que ocorre além da natureza, ou melhor, sobrenatural. Episódios de séries como Arquivo X e outros tantos, além de programas e até novelas apostam na paranormalidade para alavancar audiência. Se você acredita ou mesmo se concede o benefício da dúvida é compreensível, mas por conta disso você acompanharia um pesquisador no Twitter que propôs estudar o assunto?
Tudo bem você não sabe nem o que é Twitter? É um serviço de micro-mensagens instantâneas que podem ser enviadas por telefone ou pela página do Twitter para os seus followers, traduzindo: seguidores. É isso, celebridades ou não, as pessoas têm se cadastrado no site para enviar mensagens de até 120 toques instantaneamente àqueles que querem saber, teoricamente, o que eles estão fazendo.
No Brasil o serviço ainda tem poucos adeptos e mesmo jovens conectados ainda não têm direito a ideia do que é o serviço. Nos Estados Unidos e na Europa a brincadeira é uma febre ao ponto das pessoas comunicarem a ida ao médico, resultado de exames, humor e afazeres cotidianos permanentemente.
Esta sociedade hiperconectada que leva os amigos para o banheiro, incapaz que é de largar o celular por um minuto. Um exemplo de mensagem instantânea: “ok, a parada (gay) foi linda e coisa e tal, mas a sujeira que ficou na frente de casa é nojenta. me poupem. porquice imperou mais q purpurina. Afê” http://twitter.com/unhasescarlate a aproximadamente 21 horas ago from web.
Agora que você já sabe o que é o Twitter vamos voltar ao princípio. O cientista, psicólogo americano professor Richard Wiseman pediu para que um grande número de pessoas que acreditava ter poderes paranormais o seguissem via Twitter. Durante quatro dias seus seguidores foram desafiados a descobrir onde o professor estava descrevendo o ambiente. Em seguida ele mandava imagens (5) para que estas pessoas escolhessem onde ele estava. O resultado aponta para uma vontade de acreditar daqueles que se diziam paranormais, forçando às vezes correlações entre o local correto e suas ilações.
Como disse no começo, isso é o de menos, interessante é a gente notar que a ferramenta sócio-tecnológica pode ser utilizada com objetivos mais nobres do que simplesmente colocar a sua vida e opinião particular sobre o cotidiano em um aquário público.
Publicado originalmente no jornal Diário de Cuiabá
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
Espía, vamo Twittá?
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Antropologia da corrupção
Quando pensamos na corrupção instalada no sistema político brasileiro logo dá um desânimo geral. O que posso eu fazer para que isso mude? Por que quem deveria cuidar do dinheiro público mete a mão descaradamente? Há quem invoque a “Constituição” portuguesa do século XVI que imputava aos criminosos o desterro para o Brazil. Ou seja, formado com este tipo de gente não poderia dar em outra coisa. Os defensores desta tese insistem comparando o tipo de colonização que tiveram os Estados Unidos da América. Para lá foram ingleses descriminados por sua fé a fim de criar um novo país onde reinasse a liberdade. É uma visão linda e poética, mas também muito simplista.
Precisamos obviamente levar em conta os milhares de indígenas que habitavam ambos os territórios e que aqui se misturaram aos portugueses inicialmente e ulteriormente aos demais imigrantes que por aqui pisaram. Lá os nativos americanos foram dizimados, aqui apesar da matança ou uma diplomacia porosa que envolveu os brancos europeus, os índios e os negros. Diga-se de passagem, estes últimos emprestaram segundo Pierre Verger, antropólogo francês naturalizado brasileiro, mais especificamente baiano, o sangue real da mãe África. Sua tese rastreou os ascendentes dos escravos trazidos para a Bahia e demonstrou que milhares provinham de famílias reais que foram subjugadas por europeus ou mesmo tribos rivais na África.
Como diz o carioca: ‘e o Kiko?’, quer dizer e eu com isso. Pois é. A nossa arvore genealógica não explica a atual situação brasileira, nem mesmo a americana. É certo que o desejo de fundar um novo país e o desejo de pilhar o novo território influenciaram na ordem natural das coisas, mas a independência de ambos os países está distante a centena de anos.
Voltando ao caso específico brasileiro o que vemos é uma cultura perniciosa. O jeitinho, a valorização do ‘esperto’ e o desejo de se tornar um. Frases como: “se fosse eu saía de lá rico” ou “você é burro, todo mundo rouba…”. O poder público brasileiro executivo, legislativo e judiciário está podre do cabo ao rabo. Quem deveria fiscalizar negocia aprovação de contas. Quem deveria julgar vende sentenças. Quem deveria executar obras distribui as mesmas recebendo comissões gordas para, supostamente, garantir a próxima eleição.
Aí temos que ouvir imbecis como este deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) que expressou sob o fogo cruzado e com nervos a flor da pele o que parece estar na cabeça de todos os parlamentares que está “se lixando para a opinião pública”.
A cultura deve mudar. Se eu quero que as pessoas sejam honestas, primeiro tenho que sê-lo. Se o guarda parar e tiver errado, está errado, não vá tentar dá um jeitinho.Se estou em um cargo público deve atender ao público e não aos meus interesses privados. A administração pública deve ser um ato de sacrifício em nome da coletividade. Você abandona, em partes, o convívio familiar e seus negócios privados em nome da sociedade. Você está se doando para a comunidade local, estadual ou nacional. Enquanto as pessoas encararem o investimento da função pública como um privilégio, estaremos fadados a ver enriquecimento ilícito e má utilização da verba pública.
Por que ao constatar bens incompatíveis com o poder de compra a Receita Federal não questiona as ilustres autoridades, inclusive juízes, desembargadores, deputados federais, estaduais e nobres vereadores? Por que um fiscal da Receita com lancha importada, carro idem, casa no Manso e outras cositas más continua sendo responsável pela fiscalização de tributos? Por que denúncias contra “autoridades” nunca são levadas até o fim?
Ser conivente e até ansiar o lugar destes vermes que apodrecem o sistema público brasileiro é mais comum do que se indignar e procurar fazer algo concreto pelo bem da comunidade. Deixo aqui um desabafo e uma dica para nossos queridos editores de política: quantos funcionários públicos foram demitidos com justa causa nos últimos dez anos na prefeitura de Cuiabá e/ou no governo do estado? Será que são todos eles honestos e eficientes, ou somente intocáveis que seguram os rabos dos próprios chefes além de andarem com os seus próprios sujos.
* CLAUDIO DE OLIVEIRA é jornalista e publicitário, mestrando em Estudos Culturais no ECCO-UFMT e repórter do DC Ilustrado
Precisamos obviamente levar em conta os milhares de indígenas que habitavam ambos os territórios e que aqui se misturaram aos portugueses inicialmente e ulteriormente aos demais imigrantes que por aqui pisaram. Lá os nativos americanos foram dizimados, aqui apesar da matança ou uma diplomacia porosa que envolveu os brancos europeus, os índios e os negros. Diga-se de passagem, estes últimos emprestaram segundo Pierre Verger, antropólogo francês naturalizado brasileiro, mais especificamente baiano, o sangue real da mãe África. Sua tese rastreou os ascendentes dos escravos trazidos para a Bahia e demonstrou que milhares provinham de famílias reais que foram subjugadas por europeus ou mesmo tribos rivais na África.
Como diz o carioca: ‘e o Kiko?’, quer dizer e eu com isso. Pois é. A nossa arvore genealógica não explica a atual situação brasileira, nem mesmo a americana. É certo que o desejo de fundar um novo país e o desejo de pilhar o novo território influenciaram na ordem natural das coisas, mas a independência de ambos os países está distante a centena de anos.
Voltando ao caso específico brasileiro o que vemos é uma cultura perniciosa. O jeitinho, a valorização do ‘esperto’ e o desejo de se tornar um. Frases como: “se fosse eu saía de lá rico” ou “você é burro, todo mundo rouba…”. O poder público brasileiro executivo, legislativo e judiciário está podre do cabo ao rabo. Quem deveria fiscalizar negocia aprovação de contas. Quem deveria julgar vende sentenças. Quem deveria executar obras distribui as mesmas recebendo comissões gordas para, supostamente, garantir a próxima eleição.
Aí temos que ouvir imbecis como este deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) que expressou sob o fogo cruzado e com nervos a flor da pele o que parece estar na cabeça de todos os parlamentares que está “se lixando para a opinião pública”.
A cultura deve mudar. Se eu quero que as pessoas sejam honestas, primeiro tenho que sê-lo. Se o guarda parar e tiver errado, está errado, não vá tentar dá um jeitinho.Se estou em um cargo público deve atender ao público e não aos meus interesses privados. A administração pública deve ser um ato de sacrifício em nome da coletividade. Você abandona, em partes, o convívio familiar e seus negócios privados em nome da sociedade. Você está se doando para a comunidade local, estadual ou nacional. Enquanto as pessoas encararem o investimento da função pública como um privilégio, estaremos fadados a ver enriquecimento ilícito e má utilização da verba pública.
Por que ao constatar bens incompatíveis com o poder de compra a Receita Federal não questiona as ilustres autoridades, inclusive juízes, desembargadores, deputados federais, estaduais e nobres vereadores? Por que um fiscal da Receita com lancha importada, carro idem, casa no Manso e outras cositas más continua sendo responsável pela fiscalização de tributos? Por que denúncias contra “autoridades” nunca são levadas até o fim?
Ser conivente e até ansiar o lugar destes vermes que apodrecem o sistema público brasileiro é mais comum do que se indignar e procurar fazer algo concreto pelo bem da comunidade. Deixo aqui um desabafo e uma dica para nossos queridos editores de política: quantos funcionários públicos foram demitidos com justa causa nos últimos dez anos na prefeitura de Cuiabá e/ou no governo do estado? Será que são todos eles honestos e eficientes, ou somente intocáveis que seguram os rabos dos próprios chefes além de andarem com os seus próprios sujos.
* CLAUDIO DE OLIVEIRA é jornalista e publicitário, mestrando em Estudos Culturais no ECCO-UFMT e repórter do DC Ilustrado
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