Pode ser irritante ver um crítico falando mal de um filme que nós gostamos. Especialmente um como Artur Xexéo(O Globo) que tem talento e cultura suficiente para desmontar a beleza que aparentemente vimos ou sentimos como sugere artigo da Ana Claudia Simas também sobre o mesmo filme. Black Swan ou Cisne Negro chegou aos cinemas cuiabanos na semana passada e poucos filmes têm o dom de tirar os nossos sentidos do lugar comum.
Xexéo em seu blog diz que estão incensando demais o filme. Para ele a crítica americana, “acostumada à dieta de adaptações de histórias em quadrinhos cheias de efeitos especiais, comédias eróticas para adolescentes emburrecidos e filmes tolos e românticos para mocinhas ainda casadoiras, trata qualquer produção com ares um pouco mais intelectuais como obra-prima.” Para mim uma maldade com o novo filme do diretor Darren Aronofsky.
O crítico desanca a atriz Natalie Portman chamando-a de insossa. Bom para mim a Natalie certamente ganhará o Oscar no final do mês e, ao contrário do que declarou Zeca Camargo, eu vou bater palma porque simplesmente ela estava sensacional. Ficamos sim com a sensação de uma série de delírios que nos conduzem a um labirinto do qual o diretor não nos retira ao final. Saímos, ou saí eu do cinema sem ar, caçando o chão e querendo entender o que havia se passado na tela e comigo mesmo.
Sabia de antemão que o diretor tinha privilegiado as cenas em close e com câmera na mão para colocar o espectador dentro ou sobre o palco. E obviamente não fui ao cinema ver balé, mas ver um filme. Não me interessa se ela fez ou não o plié como deveria e não tenho conhecimento suficiente para dizer se ela dançou bem ou não tecnicamente. Todavia sentir é uma habilidade que venho desenvolvendo toda a vida e mesmo em um blockbuster previsível sou capaz de desligar o senso crítico e curtir o final chorando junto com o personagem. Fico feliz em não deixar o excesso de racionalidade limitar a minha emoção.
O filme mostra o desabrochar de uma menina superprotegida por uma mãe doente. O processo de autodescoberta da bailarina Nina Sayers (Portman) nos conduz por um mundo extremamente competitivo, desleal e sexualizado.
Li pela internet pessoas dizendo que finalmente alguém mostrou a “realidade” do mundo do balé, e outros dizendo que o filme denegria a imagem da arte. Não conheço este mundo, mas tenho certeza que o choque provocado pelo Cisne de Aronofsky faz jus ao Tchaikovsky.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Black Swan é filme, não ballet
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
retorno gradual e efetivo
Bom gente vou buscar todos os meus textos que estão no Jornal Diário de Cuiabá e trazê-los para cá. Não são muitos mas devem manter o blog em movimento afinal depois de quase um ano no ostracismo é o mínimo que eu podia fazer.
Pretendo intercalar estes textos com textos mais atuais e fotografias também. Dentro do possível quero manter este cômodo arejado e organizado (risos).
abraço a todos que ainda passam por aqui.
Grato.
Para começar uma foto de um fenômeno muito legal que rolou este final de semana, pelo menos dava para ver aqui de casa...
Fenômeno Natural
Pretendo intercalar estes textos com textos mais atuais e fotografias também. Dentro do possível quero manter este cômodo arejado e organizado (risos).
abraço a todos que ainda passam por aqui.
Grato.
Para começar uma foto de um fenômeno muito legal que rolou este final de semana, pelo menos dava para ver aqui de casa...
Fenômeno Natural
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Emolumento
O que é afinal um emolumento? Consultando o Houaiss vemos que a palavra vem do latim emolumentum,i 'quantia paga ao moleiro para moer o grão; ganho, emolumento; vantagem, proveito', de emolère 'moer bem, pulverizar', der. de molère, pelo fr. émolument (sXIII). Trocando em miúdos como a palavra e o próprio Houaiss sugere é aquilo que se ganha quando se executa bem um serviço. É como uma gratificação.
Pergunto eu, porque perguntar não ofende, o que será que a prefeitura municipal de Cuiabá fez para merecer tanto emolumento. Sim porque recentemente paguei o Imposto Sobre Serviços – ISS da minha empresa e fiquei absurdamente indignado com a tal gratificação. A ponto de me sentir um burro de carga para evitar a rima fácil e pejorativa.
Vejamos: paguei de ISS sobre o faturamento em janeiro, além daquilo que é retido na fonte, o equivalente a R$ 52,82. Deste valor nada menos que R$12,42 é emolumento.
Eu sei. A maioria de você pode estar se perguntando: Mas é só isso? Ele está reclamando por causa de R$ 12!? Antes que se indignem reflitam comigo. O valor do imposto era quarenta reais, doze é trinta por cento. Sim, trinta por cento. Eu tenho a conexão à internet, eu imprimi o boleto, gastei papel e tinta da minha impressora. Se alguém ‘moeu o grão’ foi eu e não a prefeitura. Aliás, que mal pergunte: o que será que eles fazem com estes emolumentos?
É claro que o governo estadual também não fica de fora. Se eu posso arrecadar, arregace as mangas e vamos lá. O Detran também cobra por moer. O recibo do IPVA, obtido da mesma forma que o ISS (com internet e impressora própria) custa R$ 3,20. No meu caso específico 1% do valor do imposto a ser pago. Também acho que mesmo pouco, não devia ser cobrado, porque a gratificação deveria ser minha que evitei formar fila, paguei em dia, imprimi o boleto em casa, etc. etc. etc.
Participando do Bom Dia Maria, como chamamos carinhosamente o café da manhã na casa da minha querida avó, meu primo, advogado, deixou-me ainda mais perplexo. – Você sabe quanto custa uma certidão negativa junto à Justiça Federal? – Não. – Mais ou menos R$ 0,40. Não me contive e perguntei: - E na prefeitura? – Por volta de R$ 48,00.
Enquanto permanecermos passivos continuaremos a carregar nas costas a usura da prefeitura, do estado e do governo federal. Ou você acha que a prefeitura é a única a açambarcar os nossos grãos?
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domingo, 25 de outubro de 2009
Lara Matana
Há algum tempo venho acompanhando o trabalho da Lara Matana. Ela tem a seu favor algo que todo o artista almeja: estabilidade financeira. É engraçado, mas já ouvi críticas a ela por isso. Como alguém que não sofre pode ser artista? É engraçado por que ficamos discutindo a produção artística baseado nas condições de vida do artista. Se ele(a) é deslocado(a) da sociedade. Se sofreu abusos, se enfrenta Golias pelos desertos da vida.
É claro que a arte é uma válvula de escape para situações extremas. Auxilia as pessoas a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, mas não é só isso. A arte também é estética. Falo sem medo de reduzir a arte da Lara à decoração e também sem reduzir o valor da mesma em um ambiente. A arte da Lara carrega consigo uma semente ecológica. Ela trabalha com resíduos de madeira que virariam pó e fumaça. Seu trabalho segundo Aline Figueiredo está muito ligado ao designe, vemos isso também e mais.
Enxergar, como ela o faz, beleza num toco de árvore arrancado, ou enfeitar esta dureza retorcida com um abraço envolvente de uma cobra composta de pequenos pedaços de madeira entrelaçados vai além da decoração, sem dúvida.
E o que dizer de elementos trabalhados minuciosamente em finas lâminas de madeira dispostas de modo a imprimir a perspectiva infinita de um corredor. E quando ela o faz com cores que dão vida à madeira e apresentam formas e densidades diversas ao mesmo material inanimado nas mãos de meros mortais. Sim por que na sua mão ganham vida e vibram, e puxam o nosso olhar para além conduzindo-nos a uma experiência tridimensional.
Lara (re)cria formas, painéis, esculturas, quadros, faz isso há muitos anos e já conquistou o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais que recebem e comercializam seus trabalhos. Quando o diretor Fernando Meirelles escolheu uma de suas obras para o seu filme Ensaio sobre a cegueira nós noticiamos aqui no DC Ilustrado com alegria de quem conhece o trabalho de perto.
Você pode apreciar a exposição até o dia 30 de outubro no museu de arte e cultura popular na UFMT, em horário comercial. Se quiser conhecer mais da artista visite o site: WWW.laramatana.com.
Nas palavras da mestre Aline Figueiredo fica o registro da sua sensibilidade: [Lara] “Olha os troncos por longo tempo, até ganhar-lhes a intimidade expressiva que vai sugerir e induzir o que neles interferir e recriar. Ora conserva os sulcos que considera mais expressivos, abre frestas e lhes introduz pequenos pedaços geométricos de madeira; ora lhes acrescenta grandes pedaços, bem alisados pelos tornos, a dialogar, assim, entre o rústico e a intervenção da máquina.”
Ordilei, luz e sombra
As fotografias de “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Um estudo pertinente de luz e sombra
Cláudio de Oliveira
Da Reportagem
O que é a fotografia se não a grafia com a luz. A exposição do fotógrafo Ordilei Caldeira na galeria do SESC Arsenal está chegando ao fim. Em cartaz desde 12 de setembro finda neste domingo. A oportunidade de apreciar a sua arte está espalhada pela internet, mas esta exposição não está reunida em nenhuma das suas páginas que informamos ao fim da matéria.
Ordilei, como já dissemos anteriormente na matéria de lançamento da exposição, é um jovem fotógrafo, não fez trinta anos ainda, mas demonstra maturidade e sensibilidade nos seus registros.
As fotografias expostas em “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Eu sei, o termo provavelmente não existe, mas você que conhece a poesia concreta e for até a galeria do SESC a de concordar comigo. Econômico na informação, sobrepõe a luz com objetos como se estivesse construindo uma poesia concreta retalhando as palavras em informações visuais. Ele retalha a luz produzindo sensações poéticas, às vezes, abstratas outras vezes mensagens indiretas do objeto.
As fotos parecem feitas em preto e branco em quase sua totalidade, acredito que para explorar ao máximo o contraste proporcionado por este suporte. Mas as experimentações em cor como a da janela, a da parede com sua textura amarelada e espinhosa e a abstrata que nos leva ao que parece uma fresta de luz com detalhe triangular que lembra um seio feminino, também impõem uma harmonia e simetria interessante.
No canto da galeria o visitante pode brincar com as fotos do artista exercitando composições novas unindo as formas “aleatoriamente”. Fios de sombra que se unem a bancos e barras de metal promovendo uma gramática da luz. Elementos a serem postos em ordem ou não, com equilíbrio dinâmico.
Ordilei não faz apenas fotos artísticas, conceituais ou abstratas. Seu repertório é grande e pode ser apreciado em muitos sites, por exemplo:http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=1618, tem inúmeras galerias criadas por ele como: natureza, urbe, pessoas, paisagens urbanas, macro e outras. No Flickr que é um dos fotologs mais utilizados do mundo, também guarda algumas (150) das suas obras: http://www.flickr.com/photos/ordicfoton/.
Para quem tiver o interesse em adquiri-las, elas estão a venda em Cuiabá na Fast Frame "Moldura na Hora" R. Estevão de Mendonça (próx. ao Choppão) e na Casa das Molduras, Rua 24 de Outubro.
Cláudio de Oliveira
Da Reportagem
O que é a fotografia se não a grafia com a luz. A exposição do fotógrafo Ordilei Caldeira na galeria do SESC Arsenal está chegando ao fim. Em cartaz desde 12 de setembro finda neste domingo. A oportunidade de apreciar a sua arte está espalhada pela internet, mas esta exposição não está reunida em nenhuma das suas páginas que informamos ao fim da matéria.
Ordilei, como já dissemos anteriormente na matéria de lançamento da exposição, é um jovem fotógrafo, não fez trinta anos ainda, mas demonstra maturidade e sensibilidade nos seus registros.
As fotografias expostas em “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Eu sei, o termo provavelmente não existe, mas você que conhece a poesia concreta e for até a galeria do SESC a de concordar comigo. Econômico na informação, sobrepõe a luz com objetos como se estivesse construindo uma poesia concreta retalhando as palavras em informações visuais. Ele retalha a luz produzindo sensações poéticas, às vezes, abstratas outras vezes mensagens indiretas do objeto.
As fotos parecem feitas em preto e branco em quase sua totalidade, acredito que para explorar ao máximo o contraste proporcionado por este suporte. Mas as experimentações em cor como a da janela, a da parede com sua textura amarelada e espinhosa e a abstrata que nos leva ao que parece uma fresta de luz com detalhe triangular que lembra um seio feminino, também impõem uma harmonia e simetria interessante.
No canto da galeria o visitante pode brincar com as fotos do artista exercitando composições novas unindo as formas “aleatoriamente”. Fios de sombra que se unem a bancos e barras de metal promovendo uma gramática da luz. Elementos a serem postos em ordem ou não, com equilíbrio dinâmico.
Ordilei não faz apenas fotos artísticas, conceituais ou abstratas. Seu repertório é grande e pode ser apreciado em muitos sites, por exemplo:http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=1618, tem inúmeras galerias criadas por ele como: natureza, urbe, pessoas, paisagens urbanas, macro e outras. No Flickr que é um dos fotologs mais utilizados do mundo, também guarda algumas (150) das suas obras: http://www.flickr.com/photos/ordicfoton/.
Para quem tiver o interesse em adquiri-las, elas estão a venda em Cuiabá na Fast Frame "Moldura na Hora" R. Estevão de Mendonça (próx. ao Choppão) e na Casa das Molduras, Rua 24 de Outubro.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O Compadre de Ogun
Argentino de nascimento e brasileiro de adoção se naturalizou em 1957. Hector Júlio Páride Bernabó ou, simplesmente, Carybé (1911-1997). Desenhista, pintor, escultor, apaixonado pela cultura brasileira, em especial, pela afro-brasileira. Carybé foi agraciado com o título Obá de Xangô (um dos pontos mais altos do candomblé) e recebeu entre outros títulos o de Doutor Honoris Causa da UFBA.
Produzia muito, mas expunha pouco. Participou da III Bienal de SP e foi homenageado na VII com uma sala especial. Deixou mais de quatro mil trabalhos entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Tem obras expostas nos EUA e na Rússia.
Compadre de Ogun era um capítulo do livro ‘Os Pastores da Noite’(1964) do escritor baiano Jorge Amado. Era... porque virou um livro que o próprio autor editou e também um especial para a TV Globo (1994) adaptado por Geraldo Carneiro. Inclusive é desta adaptação que surgem estas aquarelas singulares que ilustram o cotidiano sincrético da Bahia.
A história é rica antropologicamente falando e cômica. Um estivador, Massú, tem um caso sério com uma dama da noite. Do relacionamento nasce uma criança. A profissional entrega a criança para ele e some. Ele aflito por batizá-la pede auxílio à Mãe de Santo. Muitos são os pretendentes porque Massú era muito querido por todos. Ela oferece um despacho a Ogum e o mesmo diz que ele será o padrinho. O boato se espalha pela cidade e todos querem saber quem é o compadre de Ogum. Depois de descobrirem quem vai carregar Ogum e de saber qual é a igreja, Nossa Senhora dos Pretos, segue o cortejo.
Então a Mãe de Santo recebe ordem de Ogum para despachar para Exu, pois seu irmão pode querer atrapalhar o batizado. Ele pede que sacrifique uma galinha de angola, porém Exu apronta e solta a galinha. Ela então oferece três pombas brancas e Exu parece ter aceitado. Durante o cortejo ela estranha o comportamento de Ogum. O problema só, descoberto mais tarde, é que não era Ogum, mas Exu que tinha chegado antes ao terreiro. Quando desce do carro satírico para encontrar a Mãe com o bebê no colo e o Carybé, na frente da igreja aumenta o receio da Mãe de Santo.
Dentro da igreja Ogum desesperado porque Exu ia batizar a criança, procura alguém para descer. Ele encontra o padre, descendente de escravo, de origem africana, recebe Ogum e dá tapa em Exu, assumindo o seu lugar para batizar a criança.
São 31 aquarelas, de 50x35cm, que usam cores básicas para retratar com beleza o sincretismo religioso brasileiro. Dizem que Carybé sempre desenhava os rituais do candomblé, mas nunca durante os mesmos por respeito. Ele guardava as imagens na memória e as ilustrava depois.
A exposição une a literatura com as artes plásticas, pois os fragmentos do texto de Jorge Amado estão presentes ao lado das obras de Carybé. Isto torna a leitura ainda mais gostosa já que vamos além do texto para as imagens e além delas pela contínua imaginação. Ambientando a exposição ainda temos o prazer de ouvir músicas baianas com a pegada africana. A percussão induz ao transe extático e a alma está pronta para assimilar o ritual mágico.
A pesquisa exposta junto para contextualizar os autores (Carybé e Jorge Amado) foi realizada por Maristela de Fátima Carneiro, Galeart/CAC/DIESCOM – MG. A exposição foi anteriormente exibida através dos Centros de Cultura do Banco do Brasil que doou para o sistema SESC o que permite a atual circulação entre todas as unidades do SESC no Brasil. Observação: O termo Ogum é grafado desta maneira em português, mas Jorge Amado deve ter feito valer a grafia ioruba pois etimologicamente o termo vem da África e se escreve Ogun.
Se você perdeu a exposição ou a mesma não esteve em sua cidade você pode ver um pouco da obra extraordinária deste argentino/baiano no meu flickr. É uma pena que falta o texto do Jorge Amado que dá o molho que une as imagens com comicidade.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Jodorowsky, o cara
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Um convite para ver Jodorowsky pode ser uma ofensa grave para toda a vida. Não leve ninguém ao cinema. Vá sozinho. Antes, porém, esqueça todo o preconceito em casa e liberte-se de qualquer expectativa exagerada especialmente em relação a algum sentido.
Alejandro Jodorowsky é um ser totalmente underground. Uma pessoa que dificilmente será compreendida ainda em vida, muito menos por aqui. Não digo aqui Cuiabá, digo aqui Brasil com a anuência de Hernani Heffner, que assina um ótimo texto no catálogo sobre o artista multimídia (que termo pobre!) que já foi exibido no Brasil, mas ainda não recebeu a devida atenção.
Começando do começo: Alejandro Jodorowsky nasceu no Chile em 1929 e continua vivo. Com 27 anos foi para o México, viveu lá por 17 anos e com 40 anos foi para a França onde vive até hoje. Diretor de cinema e teatro, ator, produtor, compositor, escritor, autor teatral, filósofo, humorista, especialista em tarô, mestre reconhecido dos quadrinhos e, segundo o próprio, psicomago.
Na abertura do livreto que acompanha a exibição dos seus filmes, Guilherme Marback e Joel Pizzini, curadores da mostra sintonizam o incauto espectador. “Polêmico, anarco-alquimista...” acusa a indústria hollywoodiana de roubar conceitos-chave do seu repertório em filmes como Alien, Blade Runner e Guerra nas Estrelas. Entre seus devotos estariam David Cronenberg, os irmões Coen e David Lynch. Uma das pessoas que ajudou na construção deste mito vivo foi John Lennon e a viúva, que distribuíram e financiaram o seu terceiro longa (Montanha Mágica) depois de se impressionarem com o segundo (El Topo), ambos presentes na mostra.
Ainda segundo os curadores, Jodorowsky é “filho de Fellini com Artaud”. Desde cedo teve um fascínio pelo surrealismo, flertou com Buñuel e André Breton. No teatro dirigiu peças de autores como Beckett, Ionesco e Strindberg. É fundador do movimento Pânico, uma homenagem ao Deus Pan, juntamente com Fernando Arrabal e Roland Topor. Na literatura aninha-se entre o realismo mágico e a realidade histórica. Nos quadrinhos suas parcerias com Moebius e Manara geraram duas obras-primas do gênero no mundo. Com Moebius lançou em 1975 (depois vieram outras obras juntos) Incal, uma HQ definida como anarco-ecumênica. Sobre a obra Alejandro fala: “Eu e Moebius misturamos tarô, cabala, Jung e o que sobrou de nosso Duna (romance de Frank Herbert). Como era muito adiantado para a época, não envelheceu”.
Da sua parceria com Milo Manara, mestre da HQ erótica, nasceu Bórgia. Uma série de Graphic-novels dividida em três partes que conta um pouco da transformação do Rodrigo Bórgia no Papa Alexandre VI. Para se ter uma ideia da obra ele explica: “embarquei nesta obra porque queria mostrar que a igreja foi fundada por gangsteres e bandidos”.
A sua psicomagia desenvolve-se a partir do conceito da arte mesclado com a psicanálise. Bom talvez a síntese não seja tão boa. Ele explica em uma entrevista eterna para a TRIP: “é uma terapia vinda da arte. A psicanálise vem da ciência. A psicomagia, como investigadora do inconsciente, propõe que este seja artístico, não científico. São obras de arte as terapias, não têm uma forma sempre igual.” Ele conta no livreto da mostra que tinha um amigo moreno, que não aceitava a sua cor, não se enquadrava nem como negro, nem como branco. Com a psicomagia ele o curou. Ele pintou o amigo de branco (dos pés à cabeça) e o colocou para andar na Champs-Elysées com uma negra. Depois no dia seguinte, pintou-o de negro e o colocou para desfilar no mesmo local com uma branca. No dia seguinte pediu que saísse ao natural com uma amiga sua, uma mulata. “No passeio se apaixonou, casou com ela e teve filhos. Nunca mais se preocupou com sua cor” finaliza Jodorowsky.
É impossível descrever ou traçar ao menos um mapa desta “entidade metafísica cujo nome está em toda parte e cujos filmes não se vêem em lugar algum” descreve Bráulio Tavares. A obra arte que é o livreto vale como uma iniciação, mas nada substitui o impacto visceral da sua obra. Na entrevista citada à TRIP perguntam a ele: - “Acha que estamos aqui para amar?”, ele responde: “Procurar o amor é como estar em um rio e sentir sede. Tudo o que está à nossa volta foi criado pelo amor. É só prestar atenção ao que você é.” Vai entender...
Tem uma ótima entrevista aqui publicada com trechos da revista Reserva Cultural. O Blog é do Ariel e chama "Ou o pensamento contínuo"
SERVIÇO:
O QUE: Mostra Jodorowsky
QUANDO: de 2 a 5 de setembro, sessões às 21 horas
ONDE: Cine SESC Arsenal
QUANTO: grátis
Da Reportagem
Um convite para ver Jodorowsky pode ser uma ofensa grave para toda a vida. Não leve ninguém ao cinema. Vá sozinho. Antes, porém, esqueça todo o preconceito em casa e liberte-se de qualquer expectativa exagerada especialmente em relação a algum sentido.
Alejandro Jodorowsky é um ser totalmente underground. Uma pessoa que dificilmente será compreendida ainda em vida, muito menos por aqui. Não digo aqui Cuiabá, digo aqui Brasil com a anuência de Hernani Heffner, que assina um ótimo texto no catálogo sobre o artista multimídia (que termo pobre!) que já foi exibido no Brasil, mas ainda não recebeu a devida atenção.
Começando do começo: Alejandro Jodorowsky nasceu no Chile em 1929 e continua vivo. Com 27 anos foi para o México, viveu lá por 17 anos e com 40 anos foi para a França onde vive até hoje. Diretor de cinema e teatro, ator, produtor, compositor, escritor, autor teatral, filósofo, humorista, especialista em tarô, mestre reconhecido dos quadrinhos e, segundo o próprio, psicomago.
Na abertura do livreto que acompanha a exibição dos seus filmes, Guilherme Marback e Joel Pizzini, curadores da mostra sintonizam o incauto espectador. “Polêmico, anarco-alquimista...” acusa a indústria hollywoodiana de roubar conceitos-chave do seu repertório em filmes como Alien, Blade Runner e Guerra nas Estrelas. Entre seus devotos estariam David Cronenberg, os irmões Coen e David Lynch. Uma das pessoas que ajudou na construção deste mito vivo foi John Lennon e a viúva, que distribuíram e financiaram o seu terceiro longa (Montanha Mágica) depois de se impressionarem com o segundo (El Topo), ambos presentes na mostra.
Ainda segundo os curadores, Jodorowsky é “filho de Fellini com Artaud”. Desde cedo teve um fascínio pelo surrealismo, flertou com Buñuel e André Breton. No teatro dirigiu peças de autores como Beckett, Ionesco e Strindberg. É fundador do movimento Pânico, uma homenagem ao Deus Pan, juntamente com Fernando Arrabal e Roland Topor. Na literatura aninha-se entre o realismo mágico e a realidade histórica. Nos quadrinhos suas parcerias com Moebius e Manara geraram duas obras-primas do gênero no mundo. Com Moebius lançou em 1975 (depois vieram outras obras juntos) Incal, uma HQ definida como anarco-ecumênica. Sobre a obra Alejandro fala: “Eu e Moebius misturamos tarô, cabala, Jung e o que sobrou de nosso Duna (romance de Frank Herbert). Como era muito adiantado para a época, não envelheceu”.
Da sua parceria com Milo Manara, mestre da HQ erótica, nasceu Bórgia. Uma série de Graphic-novels dividida em três partes que conta um pouco da transformação do Rodrigo Bórgia no Papa Alexandre VI. Para se ter uma ideia da obra ele explica: “embarquei nesta obra porque queria mostrar que a igreja foi fundada por gangsteres e bandidos”.
A sua psicomagia desenvolve-se a partir do conceito da arte mesclado com a psicanálise. Bom talvez a síntese não seja tão boa. Ele explica em uma entrevista eterna para a TRIP: “é uma terapia vinda da arte. A psicanálise vem da ciência. A psicomagia, como investigadora do inconsciente, propõe que este seja artístico, não científico. São obras de arte as terapias, não têm uma forma sempre igual.” Ele conta no livreto da mostra que tinha um amigo moreno, que não aceitava a sua cor, não se enquadrava nem como negro, nem como branco. Com a psicomagia ele o curou. Ele pintou o amigo de branco (dos pés à cabeça) e o colocou para andar na Champs-Elysées com uma negra. Depois no dia seguinte, pintou-o de negro e o colocou para desfilar no mesmo local com uma branca. No dia seguinte pediu que saísse ao natural com uma amiga sua, uma mulata. “No passeio se apaixonou, casou com ela e teve filhos. Nunca mais se preocupou com sua cor” finaliza Jodorowsky.
É impossível descrever ou traçar ao menos um mapa desta “entidade metafísica cujo nome está em toda parte e cujos filmes não se vêem em lugar algum” descreve Bráulio Tavares. A obra arte que é o livreto vale como uma iniciação, mas nada substitui o impacto visceral da sua obra. Na entrevista citada à TRIP perguntam a ele: - “Acha que estamos aqui para amar?”, ele responde: “Procurar o amor é como estar em um rio e sentir sede. Tudo o que está à nossa volta foi criado pelo amor. É só prestar atenção ao que você é.” Vai entender...
Tem uma ótima entrevista aqui publicada com trechos da revista Reserva Cultural. O Blog é do Ariel e chama "Ou o pensamento contínuo"
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O QUE: Mostra Jodorowsky
QUANDO: de 2 a 5 de setembro, sessões às 21 horas
ONDE: Cine SESC Arsenal
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Cidade de Pedra
Uma pedra e um ser empunhando um tacape e um escudo.
pelo menos foi isso que eu vi.
claro um por do sol mágico tecia a cena.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Um Show Inesquecível
Ela entrou com dez minutos nobres de tolerância. A rainha dominou o palco no primeiro suspiro. Sua voz sem esforço preenchia cada poro do corpo, eriçava o pelo até daqueles que estavam ali apenas para acompanhar um ou uma fã. A majestade de Maria Bethania impõe-se não só pela voz, mas também por sua postura rica em sentido e sentimento que transbordaram pelo Centro de Eventos do Pantanal, na noite de quinta-feira.
A casa lotada e o silêncio reverente da plateia que ovacionava a cada música impunham mais respeito. Ela abriu com “Nana” e em seguida “Beira-mar”, um sucesso poético cujo refrão guarda uma verdade suave como o vento: “Em todo o mar tem rio, e em todo o seu som tem ar e oxigênio para alimentar a todos nós”.
Em seguida entoou o hino do sertão: “Asa branca”. E o mar adentrou o Pantanal e sua religiosidade atravessou o público com o “Capitão do mato”. Em seu caminho entremeava músicas mais agitadas e mais introspectivas com uma energia de deixar as novas cantoras da MPB brasileira babando na sua verve. “Explode o coração”. Vibra a plateia de pé totalmente dominada e submissa a sua “Estrela D’alva”. Um pé no freio, uma poesia e os “Olhos nos olhos” levantam a multidão. Os aplausos, gritos e manifestações de carinho envolvem a artista, que agradece repetidas vezes: “Obrigada, senhores!”
Então ela se retira do palco após a “Volta por cima” e abre espaço para um show instrumental. Senhores de cabelo branco, média idade e mais novos dão um espetáculo a altura da sua voz enquanto a abelha-rainha respira para retornar ao controle da colmeia. Bateria, percussão rica, violoncelo, contrabaixo acústico, teclado, sanfona e violão, uma corte digna de sua majestade.
Retorna em “Reconvexo” e convida para a Bahia depois de oferecer o “Doce”. Um samba gostoso com cheiro do acarajé e a levada do candomblé. Em seguida introspectivamente, a doçura de um “Sábado em Copacabana”. Os pés no chão, o patuá no peito guardado por dois cavalos marinhos brilhantes davam o tom do figurino simples completado por uma saia estampada e um pulso cheio de pulseiras douradas.
Em ritmo de oração Terezinha dá lugar ao lamento: “Negue, negue que me pertenceu, diga que já não me quer...” E eis que chega uma carta e a poesia eriça o público que responde de pé. “Todas as cartas de amor são ridículas. As cartas de amor têm que ser ridículas. Quem me dera saber no tempo em que as escrevia que eram ridículas. Eu também escrevi cartas ridículas. Mas enfim as pessoas que nunca escreveram uma carta de amor é que são ridículas”.
Uma pausa para agradecer o convite novamente e lembrar da extraordinária Vanessa da Mata. “Em nome dela e de todos os músicos, poetas e artistas desta linda cidade e deste lindo estado, obrigada pelo convite”, suspira Bethânia.
Depois de sonhar um “Sonho impossível”, a gente não quer só “Comida”, a gente quer diversão e arte. A gente quer inteiro e não pela metade. Uma versão pausada e pesada. Uma ordem da rainha, mais arte, desejo, necessidade e vontade.
Então um lamento, uma suave melodia elocubrando as estrelas e a beleza do “Céu de Santo Amaro” recheado pelo Soneto de Fidelidade do inesquecível poetinha Vinicius de Morais. Em seguida um samba para elevar a moral e lavar as lágrimas salgadas da poesia. Como não poderia deixar de ser o bis: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Namoro na praia
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Macrofotografia
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