quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cidade de Pedra


Uma pedra e um ser empunhando um tacape e um escudo.

pelo menos foi isso que eu vi.

claro um por do sol mágico tecia a cena.

domingo, 21 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Espía, vamo Twittá?

Você acredita em paranormalidade? Aquele fenômeno que ocorre além da natureza, ou melhor, sobrenatural. Episódios de séries como Arquivo X e outros tantos, além de programas e até novelas apostam na paranormalidade para alavancar audiência. Se você acredita ou mesmo se concede o benefício da dúvida é compreensível, mas por conta disso você acompanharia um pesquisador no Twitter que propôs estudar o assunto?

Tudo bem você não sabe nem o que é Twitter? É um serviço de micro-mensagens instantâneas que podem ser enviadas por telefone ou pela página do Twitter para os seus followers, traduzindo: seguidores. É isso, celebridades ou não, as pessoas têm se cadastrado no site para enviar mensagens de até 120 toques instantaneamente àqueles que querem saber, teoricamente, o que eles estão fazendo.

No Brasil o serviço ainda tem poucos adeptos e mesmo jovens conectados ainda não têm direito a ideia do que é o serviço. Nos Estados Unidos e na Europa a brincadeira é uma febre ao ponto das pessoas comunicarem a ida ao médico, resultado de exames, humor e afazeres cotidianos permanentemente.

Esta sociedade hiperconectada que leva os amigos para o banheiro, incapaz que é de largar o celular por um minuto. Um exemplo de mensagem instantânea: “ok, a parada (gay) foi linda e coisa e tal, mas a sujeira que ficou na frente de casa é nojenta. me poupem. porquice imperou mais q purpurina. Afê” http://twitter.com/unhasescarlate a aproximadamente 21 horas ago from web.

Agora que você já sabe o que é o Twitter vamos voltar ao princípio. O cientista, psicólogo americano professor Richard Wiseman pediu para que um grande número de pessoas que acreditava ter poderes paranormais o seguissem via Twitter. Durante quatro dias seus seguidores foram desafiados a descobrir onde o professor estava descrevendo o ambiente. Em seguida ele mandava imagens (5) para que estas pessoas escolhessem onde ele estava. O resultado aponta para uma vontade de acreditar daqueles que se diziam paranormais, forçando às vezes correlações entre o local correto e suas ilações.

Como disse no começo, isso é o de menos, interessante é a gente notar que a ferramenta sócio-tecnológica pode ser utilizada com objetivos mais nobres do que simplesmente colocar a sua vida e opinião particular sobre o cotidiano em um aquário público.

Publicado originalmente no jornal Diário de Cuiabá

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ciência e fé




Como é maravilhoso ouvir ou ler opiniões sensatas especialmente quando elas vêm corroborar com a nossa visão de mundo. Sempre acreditei que Deus criou o universo e nem por isso deixei de acreditar na teoria da evolução. Parece um paradoxo ou algo difícil de se encaixar a princípio, porém neste domingo (14/06/09) deparei-me com uma entrevista incrível de um padre, jesuíta, chamado George Coyne, 76.
Coyne ganhou o prêmio Van Biesbroeck, da AAS (Associação Americana de Astronomia), concedido àqueles que prestam "generosos serviços de longo prazo" à comunidade acadêmica de astrônomos. A entrevista foi concedida ao Rafael Garcia, da Folha de SP e foi publicada no caderno Mais (um dos melhores cadernos do mundo, em minha opinião).
O padre George é americano, formou-se em matemática e tem doutorado em astronomia. Ele dirigiu por 28 anos o Observatório do Vaticano e um dos maiores motivos da sua premiação pela AAS foi a criação do curso de verão de um mês em astrofísica. O curso inseriu pelo 275 jovens (62% de países em desenvolvimento) no mundo da astronomia. Foram onze edições. Além disso, Coyne escreveu livros aproximando a ciência da religião e vencendo deste modo certos tabus.
A sua entrevista é muito esclarecedora e vale a pena ser lida na íntegra. Pretendo fazer um recorte com aspas para momentos marcantes da mesma.
Segundo Coyne a partir da encíclica "Providentissimus Deus", de Leão 13, a igreja começou a se posicionar de maneira mais clara em relação à ciência: “você deve interpretar as escrituras de acordo com a técnica literária. Você não pode interpretá-las literalmente”. O doutor continua e dá uma aula para quem ainda não entendeu: “não há nenhuma ciência nas escrituras. As escrituras começaram a ser compostas por volta de 5.000 a.C., com o patriarca Abraão, até cerca de 200 d.C., mais ou menos. A ciência moderna começou a existir entre os séculos 16 e 17. Como poderia haver alguma ciência nas escrituras? Há uma separação de pelo menos 1.500 anos entre a redação final das escrituras e a ciência moderna. Então, não há nenhuma ciência nas escrituras. Zero.”
Rafael o questiona sobre a polêmica com Galileu já que estamos comemorando os 400 anos das observações de Galileu com o intuito de entender o por quê de a igreja pedir perdão a Galileu Galilei tanto tempo depois (isto foi feito por João Paulo 2º em 2000). Coyne conta que mesmo antes de ser Papa, enquanto era cardeal-arcebispo de Cracóvia, ele costumava promover encontros de cientistas, filósofos e teólogos. Quando assumiu o papado ele percebeu, ainda segundo Coyne, que o caso Galileu ainda era um mito. Então, ciente disso, montou uma comissão para estudar se havia um conflito intrínseco entre a crença religiosa e a ciência, tendo como cerne Galileu. O gesto foi simbólico, mas não resolveu a pendência, não para todos ainda há o fantasma de Darwin assombrando fiéis caolhos.
George faz mais uma revelação: “João Paulo 2º, em uma mensagem para a Pontifícia Academia de Ciências, disse que a evolução "não é mais uma mera hipótese". Disse que a paleontologia, a geologia, a biologia, a química e a cosmologia, todas convergem no sentido de que a evolução é a melhor teoria científica que temos hoje”. Como me faltam palavras para expressar com tamanha clareza faço das suas as minhas: “E uma coisa não está em contradição com a outra. Na verdade, se eu acreditar em Deus, o Universo em evolução me diz um bocado sobre Deus como criador inteligente. Ele criou um Universo que não é uma máquina de lavar, nem um carro, nem um relógio. Ele criou um Universo que tem um dinamismo e uma criatividade próprios. É um "se" importante.”.
Coyne explica que para ele o Big Bang (grande explosão que deu início ao universo como o conhecemos hoje) é a melhor explicação a partir das observações realizadas em telescópios. Mas é bem provável que ela seja sintonizada com as novas descobertas científicas. É assim que a ciência evolui, aos poucos se auto-criticando e se reavaliando. Contudo, o embate entre religião e ciência se dá especialmente quando um usa a própria metodologia para criticar o outro. Cito o exemplo que o sábio padre deu: “A ciência, como tal, não pode provar a existência de Deus nem prová-la falsa usando sua própria metodologia. Repito: ela se limita a procurar explicações naturais para eventos naturais. E se existe um Deus - a natureza própria de um Deus -, isso está além da natureza.”
Enquanto isso, sigo acreditando em ambos, na ciência e seu território imenso de atuação e em Deus, Onisciente, Onipotente e Onipresente. Qualidades intrínsecas e que a meu ver definem Quem é Deus.

Publicado originalmente por mim no blog: www.mtaqui.com.br

terça-feira, 9 de junho de 2009

Maratona museológica


Um dia. Parece pouco, né!? Na verdade meio dia foi o suficiente para tomar um banho de museu em São Paulo. Banho talvez não seja a palavra mais apropriada com todo o frio que estava na metrópole. Sem chuva, sol brilhando e vento gelando as orelhas. São Paulo tem a característica de uma oferta cultural plural. Teatro, cinema de arte, exposições, shows, enfim, uma infinidade de opções que deixa dúvida.

Parte do problema da escolha foi solucionada de pronto. Eu teria praticamente uma tarde o que excluía shows e teatros e dificultava o cinema pois me imobilizaria por mais de duas horas facilmente reduzindo a diversidade do menu.

Optei pelas artes visuais. O ano da França no Brasil me acompanhou durante o dia primeiro no MASP com a exposição “Arte na França: 1860-1960: O Realismo”. Clássicos como Monet, Renoir, Picasso, Van Gogh, Dali, e muitos outros que produziram trabalhos realistas neste período na França encantam e abduzem mesmo os mais frios. Ainda no MASP desço para o último piso e me deleito com uma exposição do Vik Muniz. Mesmo com diversas pessoas torcendo o nariz para ele eu aprecio o seu trabalho a várias Bienais, e tive a oportunidade de assistir a um documentário em meio à exposição que ele relatava o seu processo de criação. Reconheci-o como um bibliófilo ferrenho e finalmente, digeri de maneira adequada seus meninos de açúcar. Ele contou que se inspirou em uma poesia do Ferreira Gullar que narra a origem do açúcar, o quão amarga é a vida daqueles que adoçam o nosso café colhendo e moendo a cana. Nossa! O Gullar é incrível e a representação é extremamente apropriada e difícil de descrever em um espaço tão exíguo.

Parti para a segunda parte, ou deveria dizer segunda casa. A Pinacoteca encerra uma exposição também em homenagem ao ano francês-brasileiro com fotógrafos de ambas as nacionalidades intitulada: “À procura de um olhar”. Entre as duzentas imagens, diversas estonteantes, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Tiago Santana e Mauro Restiffe. Ainda na Pinacoteca pude apreciar um francês estudioso das formas e das cores que me deu a sensação de estarmos apenas copiando-o 50 anos depois: Ferdinand Léger (1881-1955). Fiquei com a sensação de que a arte em quadros chegou a um beco sem saída. É preciso a performance, o vídeo, a fotografia talvez, não sei, as instalações contemporâneas que nos digam.

Ainda tive tempo, antes de ir ao lançamento do livro do Claudio Willer (Geração Beat), de explorar o Museu da Língua Portuguesa. É, não foi um banho, mas com certeza foi uma maratona. Dentro do meu tempo volto para comentar o livro do Willer que parece ótimo.

Cuiabá


Uma das imagens que mais gosto de Cuiabá é uma lua cheia que fiz a anos e ainda continua bela...
Não se você também acha!?