domingo, 28 de fevereiro de 2010

Emolumento

O que é afinal um emolumento? Consultando o Houaiss vemos que a palavra vem do latim emolumentum,i 'quantia paga ao moleiro para moer o grão; ganho, emolumento; vantagem, proveito', de emolère 'moer bem, pulverizar', der. de molère, pelo fr. émolument (sXIII). Trocando em miúdos como a palavra e o próprio Houaiss sugere é aquilo que se ganha quando se executa bem um serviço. É como uma gratificação.
Pergunto eu, porque perguntar não ofende, o que será que a prefeitura municipal de Cuiabá fez para merecer tanto emolumento. Sim porque recentemente paguei o Imposto Sobre Serviços – ISS da minha empresa e fiquei absurdamente indignado com a tal gratificação. A ponto de me sentir um burro de carga para evitar a rima fácil e pejorativa.
Vejamos: paguei de ISS sobre o faturamento em janeiro, além daquilo que é retido na fonte, o equivalente a R$ 52,82. Deste valor nada menos que R$12,42 é emolumento.
Eu sei. A maioria de você pode estar se perguntando: Mas é só isso? Ele está reclamando por causa de R$ 12!? Antes que se indignem reflitam comigo. O valor do imposto era quarenta reais, doze é trinta por cento. Sim, trinta por cento. Eu tenho a conexão à internet, eu imprimi o boleto, gastei papel e tinta da minha impressora. Se alguém ‘moeu o grão’ foi eu e não a prefeitura. Aliás, que mal pergunte: o que será que eles fazem com estes emolumentos?
É claro que o governo estadual também não fica de fora. Se eu posso arrecadar, arregace as mangas e vamos lá. O Detran também cobra por moer. O recibo do IPVA, obtido da mesma forma que o ISS (com internet e impressora própria) custa R$ 3,20. No meu caso específico 1% do valor do imposto a ser pago. Também acho que mesmo pouco, não devia ser cobrado, porque a gratificação deveria ser minha que evitei formar fila, paguei em dia, imprimi o boleto em casa, etc. etc. etc.
Participando do Bom Dia Maria, como chamamos carinhosamente o café da manhã na casa da minha querida avó, meu primo, advogado, deixou-me ainda mais perplexo. – Você sabe quanto custa uma certidão negativa junto à Justiça Federal? – Não. – Mais ou menos R$ 0,40. Não me contive e perguntei: - E na prefeitura? – Por volta de R$ 48,00.
Enquanto permanecermos passivos continuaremos a carregar nas costas a usura da prefeitura, do estado e do governo federal. Ou você acha que a prefeitura é a única a açambarcar os nossos grãos?

Pensamento

Sim ele é linha dura, mas veja só o que ele disse ao diretor da inteligência que estava sob sua hierarquia: “I have a rule,” General (Colin) Powell told him. “As an intelligence officer, your responsibility is to tell me what you know; tell me what you don’t know; then you’re allowed to tell me what you think. But always keep those three things separate. ”

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Natal e as formigas







A foto é uma lembrança recente da Chapada dos Guimarães, um Louva Deus.


Eu sei que o artigo esta meio fora de época mas este blog é atemporal rsrsrsrs então pra quem não viu saiu no DCbá em 23/12/2009.


Desde criança sempre gostei das formigas. Um inseto relativamente simples, presente em todos os cantos do mundo praticamente (não se estão nos pólos) e que sempre chamou a minha atenção. Eu percebia as pequenas diferenças entre as espécies e para pesquisá-las achei um modo bastante prático: eu pingava cera quente nelas. Eu sei que parece um tanto quanto sádico, mas foi o modo encontrado por mim para pará-las.

Eu olhava bem de perto com uma lupa e via o corpo, antenas e tudo o mais. Quem dera tivesse uma dessas câmeras digitais de hoje em dia e teria um arsenal de fotos digno de um entomologista (estudioso de insetos). Não sei exatamente de onde vem a admiração. Mas com o passar dos anos posso elucubrar: a organização, o trabalho em equipe, a força incansável que carrega dezenas de vezes o seu peso, em especial as carregadeiras... Características que procuro sempre colocar na minha prática cotidiana.

Estes meses de novembro e dezembro me senti a própria formiga em véspera de tempestade. Não se você sabe, mas as formigas pressentem as tempestades e procuram trabalhar mais do que o normal. Portanto, se você observar uma carreira delas fora do seu horário de trabalho (risos) pode esperar que em um ou dois dias chove, e bastante.

Não sei se terei que enfrentar em breve uma tempestade, mas senti-me extremamente confortável produzindo muito mais do que a minha média do ano e mais do que em qualquer dezembro da minha vida.

Está aproximando o Natal. Um momento especial para qualquer cristão. Hora de rever o praticado. Hora de olhar o próximo e a si mesmo. Hora de zerar o cronômetro da humanidade e dar a nós mesmos o direito de sonhar e esperar por dias melhores.

Jesus se foi há muitos anos. Sua mensagem ainda ecoa no universo e em nossos corações. Mesmo aqueles que não são cristãos, ou que duvidam da Sua existência, afirmando que não se passa de um mito bem construído pela Igreja Católica para dominar as mentes fracas (qualquer um que não seja um intelectual ateu convicto), sentem lá no fundinho a alegria de ouvir e ver um coral infantil. Regozijam-se em auxiliar e ganhar um sorriso de pagamento.

Eu desejo que todos possam olhar para trás e sentir a alegria do caminho percorrido. E àqueles que, porventura, não possam fazer isso, que possam olhar para frente de cabeça erguida e encontrar forças para fazer melhor a cada dia. Feliz natal e um ano novo repleto de Luz, Paz e Amor. 





Gostei tanto do bichinho que aqui cabe mais uma fotinho:



sábado, 14 de novembro de 2009

Adeus partido




















É com muita tristeza que visitei o terreno que era da minha familia e que perdemos por causa da justiça do trabalho. Vagabundos continuarão reinando enquanto a justiça não honrar seu próprio nome. Uma página virada sem dúvida, mas uma saudade em especial sei que vai além de mim. Vai porque sua sombra acalentava centenas de pessoas todos os anos. Suas frutas eram a alegria de crianças, jovens e idosos que pareciam frutificar junto com o gigante. Falo do cajazeiro que estava no terreno. Conversando com os mais antigos da vizinhança estimei a sua idade em torno dos cem anos. Imagino quantas pessoas, famílias inteiras já se alimentaram do seu suco. Seu filho também caiu. Ele estava ao lado, ninguém o plantou nascera. Também já tinha tamanho e produção. Junto com eles cairam cajueiro, mangueira, abacateiro, goiabeira, mandioca... poxa vida, para que? construir um prédio? Não para escrever com o sangue verde a posse sobre um bem que antes tinha vida e hoje segue árido.

Procuro pelas fotos do antes para quem quiser ter uma ideia de como era gostoso este quintal e quem sabe sorrir comigo imaginando meu filho, hoje com três anos, subindo árvores imaginárias...











Não achei nenhuma aberta só esta sombra no caminhão. Quando achar eu subo para vocês saberem do que eu estou falando acima.

domingo, 25 de outubro de 2009

Lara Matana




Há algum tempo venho acompanhando o trabalho da Lara Matana. Ela tem a seu favor algo que todo o artista almeja: estabilidade financeira. É engraçado, mas já ouvi críticas a ela por isso. Como alguém que não sofre pode ser artista? É engraçado por que ficamos discutindo a produção artística baseado nas condições de vida do artista. Se ele(a) é deslocado(a) da sociedade. Se sofreu abusos, se enfrenta Golias pelos desertos da vida. 



É claro que a arte é uma válvula de escape para situações extremas. Auxilia as pessoas a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis, mas não é só isso. A arte também é estética. Falo sem medo de reduzir a arte da Lara à decoração e também sem reduzir o valor da mesma em um ambiente. A arte da Lara carrega consigo uma semente ecológica. Ela trabalha com resíduos de madeira que virariam pó e fumaça. Seu trabalho segundo Aline Figueiredo está muito ligado ao designe, vemos isso também e mais. 





Enxergar, como ela o faz, beleza num toco de árvore arrancado, ou enfeitar esta dureza retorcida com um abraço envolvente de uma cobra composta de pequenos pedaços de madeira entrelaçados vai além da decoração, sem dúvida.

E o que dizer de elementos trabalhados minuciosamente em finas lâminas de madeira dispostas de modo a imprimir a perspectiva infinita de um corredor. E quando ela o faz com cores que dão vida à madeira e apresentam formas e densidades diversas ao mesmo material inanimado nas mãos de meros mortais. Sim por que na sua mão ganham vida e vibram, e puxam o nosso olhar para além conduzindo-nos a uma experiência tridimensional.



Lara (re)cria formas, painéis, esculturas, quadros, faz isso há muitos anos e já conquistou o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais que recebem e comercializam seus trabalhos. Quando o diretor Fernando Meirelles escolheu uma de suas obras para o seu filme Ensaio sobre a cegueira nós noticiamos aqui no DC Ilustrado com alegria de quem conhece o trabalho de perto. 




Você pode apreciar a exposição até o dia 30 de outubro no museu de arte e cultura popular na UFMT, em horário comercial. Se quiser conhecer mais da artista visite o site: WWW.laramatana.com.

Nas palavras da mestre Aline Figueiredo fica o registro da sua sensibilidade: [Lara] “Olha os troncos por longo tempo, até ganhar-lhes a intimidade expressiva que vai sugerir e induzir o que neles interferir e recriar. Ora conserva os sulcos que considera mais expressivos, abre frestas e lhes introduz pequenos pedaços geométricos de madeira; ora lhes acrescenta grandes pedaços, bem alisados pelos tornos, a dialogar, assim, entre o rústico e a intervenção da máquina.” 



Ordilei, luz e sombra


As fotografias de “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Um estudo pertinente de luz e sombra

Cláudio de Oliveira
Da Reportagem

O que é a fotografia se não a grafia com a luz. A exposição do fotógrafo Ordilei Caldeira na galeria do SESC Arsenal está chegando ao fim. Em cartaz desde 12 de setembro finda neste domingo. A oportunidade de apreciar a sua arte está espalhada pela internet, mas esta exposição não está reunida em nenhuma das suas páginas que informamos ao fim da matéria.

Ordilei, como já dissemos anteriormente na matéria de lançamento da exposição, é um jovem fotógrafo, não fez trinta anos ainda, mas demonstra maturidade e sensibilidade nos seus registros.

As fotografias expostas em “Grafias de Luz: fatos gráficos” é o que podemos chamar de uma poesia concreta visual. Eu sei, o termo provavelmente não existe, mas você que conhece a poesia concreta e for até a galeria do SESC a de concordar comigo. Econômico na informação, sobrepõe a luz com objetos como se estivesse construindo uma poesia concreta retalhando as palavras em informações visuais. Ele retalha a luz produzindo sensações poéticas, às vezes, abstratas outras vezes mensagens indiretas do objeto.

As fotos parecem feitas em preto e branco em quase sua totalidade, acredito que para explorar ao máximo o contraste proporcionado por este suporte. Mas as experimentações em cor como a da janela, a da parede com sua textura amarelada e espinhosa e a abstrata que nos leva ao que parece uma fresta de luz com detalhe triangular que lembra um seio feminino, também impõem uma harmonia e simetria interessante.

No canto da galeria o visitante pode brincar com as fotos do artista exercitando composições novas unindo as formas “aleatoriamente”. Fios de sombra que se unem a bancos e barras de metal promovendo uma gramática da luz. Elementos a serem postos em ordem ou não, com equilíbrio dinâmico. 




Ordilei não faz apenas fotos artísticas, conceituais ou abstratas. Seu repertório é grande e pode ser apreciado em muitos sites, por exemplo:http://br.olhares.com/galeriasprivadas/browse.php?user_id=1618, tem inúmeras galerias criadas por ele como: natureza, urbe, pessoas, paisagens urbanas, macro e outras. No Flickr que é um dos fotologs mais utilizados do mundo, também guarda algumas (150) das suas obras: http://www.flickr.com/photos/ordicfoton/.

Para quem tiver o interesse em adquiri-las, elas estão a venda em Cuiabá na Fast Frame "Moldura na Hora" R. Estevão de Mendonça (próx. ao Choppão) e na Casa das Molduras, Rua 24 de Outubro.